Mudança da hora de inverno de 2025: por que é que a data antecipa este ano?

Por My de Sortiraparis · Fotos de My de Sortiraparis · Actualizado em 22 de outubro de 2025 às 8h33 · Publicado em 13 de outubro de 2025 às 8h39
Na noite de 25 para 26 de outubro de 2025, passaremos à hora de inverno em França e, por conseguinte, na região de Île-de-France. Este ano, a mudança de hora terá lugar mais cedo do que o habitual, pela primeira vez desde 2014, por causa do calendário. Dizemos-lhe porquê.

A mudança da hora de inverno de 2025 está a preparar-se para ser especial e é provável que seja uma surpresa para muitos. Na noite de sábado 25 para domingo 26 de outubro de 2025, às três horas da manhã, teremos de atrasar os nossos relógios uma hora, para as duas horas. Se pensa que é mais cedo do que o habitual, não é uma impressão: não mudamos a hora tão cedo desde 2014. Uma pequena particularidade do calendário que merece algumas explicações.

Todos os anos, o ritual é o mesmo. Atrasamos os nossos relógios, ganhamos uma hora preciosa de sono (o que agrada aos que gostam de dormir até tarde aos domingos) e nos vemos mergulhados em noites mais escuras, mais cedo no dia. Alguns adoram essa hora extra de sono, outros são bem menos entusiasmados, sabendo que vai escurecer bem antes do fim do dia. Mas este ano, os mais atentos devem ter notado que a data chegou um pouco mais cedo do que o habitual. Em 2022, a mudança para o horário de inverno ocorreu na noite de 29 para 30 de outubro. Em 2023, foi a 28 de outubro e, em 2024, a 26 de outubro. Este ano, a mudança ocorre a 26 de outubro e, no próximo ano, será mesmo a 24 de outubro de 2026.

Porquê a antecipação da mudança este ano?

Não há nada de misterioso nesta diferença horária. A mudança de hora tem lugar todos os anos no último fim de semana de outubro, mais precisamente na noite de sábado para domingo. Esta data é regida por uma diretiva europeia desde 1998, que harmoniza as horas em todos os países membros da União Europeia. A hora de verão ocorre no último domingo de março, enquanto a hora de inverno ocorre no último domingo de outubro.

Este ano, este último domingo cai simplesmente no início do mês. Nada mudou na regulamentação europeia, apenas o calendário nos prega partidas. Por conseguinte, não temos o mesmo número de dias de hora de inverno e de verão todos os anos. Em 2025, permaneceremos na hora de inverno até domingo, 29 de março de 2026, dia em que regressaremos à hora de verão. Faltam precisamente 154 dias para voltarmos a desfrutar das noites de sol de que tanto gostamos.

Breve história da mudança da hora em França

Se está a pensar de onde vem este hábito de mexer nos relógios duas vezes por ano, tem de recuar até à crise do petróleo de 1973-1974. Nessa altura, o objetivo era claro: poupar energia fazendo coincidir o mais possível as nossas horas de atividade com as horas de luz solar. Ao limitar a utilização da iluminação artificial, esperava-se reduzir o consumo de eletricidade. Assim, em 1976, a França introduziu oficialmente a mudança da hora.

Nos anos 80, o sistema foi alargado a toda a Europa, antes de as datas serem harmonizadas na União Europeia em 1998. Atualmente, os 27 países membros mudam a hora simultaneamente, no mesmo dia e à mesma hora. Trata-se de uma forma de facilitar as trocas comerciais e de evitar perturbações nos transportes e nas telecomunicações.

Em Paris e na região de Île-de-France, como em toda a França continental, este ritual faz parte da paisagem há quase 50 anos. Em contrapartida, nos territórios ultramarinos, com exceção de Saint-Pierre-et-Miquelon, não há mudança de hora. Felizmente para eles, poder-se-á dizer.

Poderá a mudança de hora desaparecer um dia?

É a serpente marinha que regressa regularmente à ribalta. Em março de 2019, os eurodeputados votaram a favor da abolição da mudança de hora sazonal, com implementação prevista para 2021. Cada Estado-Membro teria podido escolher entre a hora de verão e a hora de inverno permanente. Mas a crise sanitária provocada pela Covid-19 veio alterar a situação e o projeto permaneceu letra morta.

Desde então, nada aconteceu de facto. A questão está bloqueada no Conselho da União Europeia desde dezembro de 2019. As discussões sobre a energia, a coordenação entre países e o impacto na saúde pública prosseguem, mas não foi tomada nenhuma decisão concreta. Entretanto, continuamos a alternar entre a hora de verão e a hora de inverno, duas vezes por ano. Talvez um dia consigamos fazer a mudança, mas por agora temos de nos habituar.

O que fazer na manhã de 26 de outubro?

Se é uma daquelas pessoas que entra em pânico com a ideia de se esquecer de mudar a hora, não se preocupe. A maior parte dos nossos dispositivos conectados - smartphones, computadores e outros tablets - encarregam-se de atualizar a hora automaticamente. Por outro lado, teremos de pensar em ajustar manualmente os nossos relógios, despertadores, relógios de parede e outros dispositivos não ligados.

Em termos concretos, na noite de sábado 25 para domingo 26 de outubro de 2025, serão duas horas da manhã. Assim, ganharemos uma hora de sono, o que não é pouco para quem gosta de se enfiar debaixo do edredão ao domingo de manhã. A boa notícia é que se vai poder dormir mais uma hora. Mas esta hora extra significa também noites mais curtas. A noite cairá mais cedo e teremos de nos habituar a ver o sol pôr-se muito antes do fim do dia. Algumas pessoas estão muito contentes por ganharem essa hora de sono, enquanto outras estão menos entusiasmadas, sabendo queàs 18 horas já estará escuro.

Para quem trabalha por turnos noturnos, nomeadamente nos sectores da saúde, da segurança e dos transportes, a mudança de hora tem implicações práticas. Os trabalhadores que trabalham durante a noite trabalham uma hora extra, que deve ser paga ou compensada de acordo com as convenções colectivas.

Como fazer face à mudança para a hora de inverno?

A mudança de hora não é insignificante para o nosso corpo. O nosso relógio biológico, que funciona num ritmo de 24 horas baseado na alternância do dia e da noite, tem de se adaptar à diferença horária. Esta adaptação demora geralmente entre três e sete dias, durante os quais podemos sentir-nos cansados, irritados ou com dificuldade em dormir.

Existem algumas dicas simples para facilitar a transição. Nos dias que antecedem a mudança, pode tentar alterar gradualmente a sua hora de deitar em incrementos de 15 minutos. Pode também aproveitar ao máximo a luz natural durante o dia, mesmo em dias nublados. Um passeio num parque parisiense (sempre uma boa ideia) pode ajudar o nosso corpo a reajustar o seu relógio interno.

No que diz respeito à alimentação, é preferível fazer refeições ligeiras à noite e evitar estimulantes como o café ou o álcool depois das 16 horas. Algumas pessoas também consideram útil tomar suplementos alimentares, como a melatonina para ajudar a adormecer, ou vitamina D para compensar a falta de luz no inverno.

Em suma, a mudança da hora de inverno de 2025 chega mais cedo este ano, mas não há motivo para pânico. É simplesmente o calendário a pregar-nos partidas. Vamos atrasar os relógios uma hora na noite de 25 para 26 de outubro, dormir uma hora a mais (para alguns, não tanto para outros, que vão escurecer mais cedo) e adaptarmo-nos gradualmente aos dias mais curtos. E quem sabe, talvez daqui a alguns anos este hábito desapareça de vez, se a Europa decidir finalmente resolver a questão.

Informação prática

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