O imposto sobre pequenos pacotes implementado pela França não durou muito. Criado em 1º de março de 2026 para frear o fluxo de encomendas vindas de plataformas asiáticas como Shein, Temu e AliExpress, ele está suspenso a partir desta quarta-feira, 1º de julho de 2026, anunciou o governo nesta terça-feira, 30 de junho. Em resumo, os consumidores franceses não verão mais aplicar-se esse acréscimo de dois euros por categoria de artigos em encomendas vindas da China.
O calendário não é por acaso. Nesta quarta-feira entra em vigor um direito aduaneiro europeu de três euros sobre os pequenos pacotes, e Paris não quer mais acumular os dois mecanismos. O gabinete do ministro do Comércio, Serge Papin, confirmou à AFP: num mercado único, manter apenas a taxa nacional além do novo direito europeu já não se justifica.
Isso ficou claro desde o começo: a medida mostrou rapidamente suas limitações. As plataformas encontraram uma saída ao despachar mercadorias por via aérea para outros países europeus, para, em seguida, conduzi-las por terra até a França. O resultado é um deslocamento de volume estimado em cerca de 90% desde 1º de março, segundo a Direção-Geral das Alfândegas.
O desempenho refletiu-se nisso. A taxa passou a render apenas 2,3 milhões de euros por mês, muito longe dos 400 milhões esperados para o ano. A França, mais voraz que os seus vizinhos, arriscava sobretudo penalizar os seus próprios consumidores entre julho e novembro.
A partir de 1º de julho de 2026, cada tipo de artigo incluído em um pacote com valor inferior a 150 euros encomendado em plataformas asiáticas está sujeito a uma taxa aduaneira fixa de três euros. Depois da França, a Europa tributa também os pequenos pacotes.
O objetivo declarado pela União Europeia é duplo: proteger os consumidores face a produtos por vezes perigosos ou não conformes, e defender os comerciantes europeus contra uma concorrência considerada desleal. Com 4,6 mil milhões de pequenos pacotes importados em 2024, o controlo alfandegário tornou-se quase impossível.
A taxa incide por categoria de artigos, não por pacote. Na prática:
Esta taxa é temporária. Ela deverá entrar em vigor, a partir de novembro, com taxas de processamento (cerca de dois euros por encomenda), enquanto não houver uma reforma completa do sistema aduaneiro europeu prevista para 2028. As receitas servirão para financiar os controles nos portos e aeroportos. O detalhe do dispositivo pode ser consultado no portal oficial das Alfândegas.
Em teoria, são as empresas que devem pagar o imposto. Elas podem repassá-lo aos clientes, desde que os tenham informado claramente no momento da encomenda.
A organização europeia de defesa do consumidor BEUC, aliás, alerta para a cautela. Plataformas, serviços postais e transportadoras não têm o direito de cobrar qualquer sobretaxa aos consumidores que não tenham sido avisados no momento da compra.
Bruxelas afirma acompanhar de perto as estratégias de evasão, como o trânsito por países terceiros (a Suíça, por exemplo). Essas práticas já são proibidas, e o direito aduaneiro incide conforme o país de origem do produto, e não conforme o país que o despacha.
Outra linha de ataque para os gigantes do comércio eletrônico: construir enormes armazéns na Europa para importar em volume, acima do limiar de 150 euros, e depois vender no varejo. Um esquema que foge aos três euros, mas, paradoxalmente, facilita o trabalho dos alfândegas. Para entender melhor o contexto, a lei anti-fast fashion ultrarrápida também foi aprovada recentemente, e a imposto francês sobre pequenos pacotes tinha, desde o início, sido concebido como uma medida transitória.















