Morte de Yayoi Kusama: um panorama das obras, exposições e instalações gigantes que marcaram Paris

Por Rizhlaine de Sortiraparis · Fotos de Audrey de Sortiraparis · Actualizado em 27 de agosto de 2026 às 13h40
A rainha dos pontos faleceu. Da sua instalação monumental nos Campos-Elísios aos espelhos infinitos, uma retrospectiva às instalações imersivas de Yayoi Kusama que transformaram a capital.

De fachadas haussmannianas cobertas de bolinhas coloridas às salas escuras cobertas de espelhos infinitos, a artista japonesa Yayoi Kusama deixou sua marca psicodélica no panorama urbano de Paris. Figura central da arte contemporânea, pioneira da vanguarda e do pop art, a plasticina faleceu, deixando para trás um universo visual imediatamente reconhecível. Obsessiva e imersiva, sua obra baseia-se na repetição infinita de motivos circulares — os famosos polka dots — e em esculturas moles ou em jogos de ótica criados para fazer o espectador perder a noção de espaço e tempo.

La gigantesque Yayoi Kusama devant le siège de Louis Vuitton, face à la SamaritaineLa gigantesque Yayoi Kusama devant le siège de Louis Vuitton, face à la SamaritaineLa gigantesque Yayoi Kusama devant le siège de Louis Vuitton, face à la SamaritaineLa gigantesque Yayoi Kusama devant le siège de Louis Vuitton, face à la Samaritaine

A invasão monumental dos Champs-Élysées e do Pont-Neuf

Em 2023, a capital ganhou o ar de galeria a céu aberto durante a parceria entre a artista e a casa Louis Vuitton. Uma réplica gigante de Yayoi Kusama, com vários metros de altura, parecia pintar a fachada da loja histórica dos Campos-Elíseos com as próprias mãos. A poucos quilômetros dali, frente à Ponte Neuf e à Samaritaine, ergue-se outra escultural monumental dominando as margens do Sena. Essas aparições urbanas provocaram imensas filas de curiosos e amantes de arte contemporânea que iam registrar essas instalações inusitadas no coração do 8º e do 1º arrondissement.

Uma abóbora gigante inflável aos pés da Coluna Vendôme

Lembre-se: em outubro de 2019, a propósito da FIAC Hors les Murs, os passeadores e entusiastas de caminhadas parisienses descobriram com espanto uma imensa abóbora inflável amarela, salpicada de preto, erguida diante dos joalheiros da conceituada Place Vendôme (1ᵉʳ arrondissement). Intitulée « Life of the Pumpkin Recites, All About the Biggest Love for the People », esta escultura monumental de dez metros de envergadura celebrava um dos temas fetichados da criadora. Para Kusama, a abóbora – que ela cultivava na infância com a família no Japão – representava uma forma calorosa, generosa e bem-humorada, criando um contraste alegre e poético com a rigidez arquitetônica clássica da praça.

Citrouille Yayoi Kusama Place Vendôme Fiac 2019Citrouille Yayoi Kusama Place Vendôme Fiac 2019Citrouille Yayoi Kusama Place Vendôme Fiac 2019Citrouille Yayoi Kusama Place Vendôme Fiac 2019
ce Vendôme Fiac 201

A experiência imersiva no Centro Pompidou

Muito antes desse frenesi pelas grandes avenidas, Paris já celebrava o gênio de Kusama em 2011, com uma retrospectiva de peso no Centre Pompidou. Os visitantes se apressavam para entrar nas famosas Infinity Mirror Rooms, espaços fechados onde espelhos e LEDs criam a ilusão de um cosmos sem fim. Segundo algumas anedotas de atéliers, a artista teria concebido esses ambientes para materializar suas próprias visões alucinatórias de infância, buscando dissolver o próprio corpo na imensidão do universo — um conceito que ela chamava de auto-obliteração.

Yayoi Kusama au Centre PompidouYayoi Kusama au Centre PompidouYayoi Kusama au Centre PompidouYayoi Kusama au Centre Pompidou

A ilusão de uma «piscina» de tentáculos na Fundação Louis Vuitton

Entre as lembranças mais marcantes dos visitantes do Bois de Boulogne figura, sem dúvida, a famosa instalação Infinity Mirror Room - Phalli's Field (Floor Show), proveniente da coleção da Fundação Louis Vuitton. Ao entrar nessa sala estofada de espelhos, o público teve a sensação literal de mergulhar em um estranho lago imersivo: o piso está inteiramente coberto por centenas de protuberâncias moles em tecido branco salpicado de bolinhas vermelhas bem vivas. Graças aos reflexos infinitos das paredes, essas esculturas orgânicas, semelhantes a cogumelos ou a corais, pareciam se estender como um mar salpicado sem litoral, criando uma experiência sensorial imersiva inesquecível.

O estilo Kusama: entre vanguarda, pop art e auto-obliteração

O que define, acima de tudo, a linguagem de Kusama é a acumulação obsessiva. Nascida em Matsumoto em 1929, a artista rapidamente se impôs na interseção do pop art, da arte conceitual e do minimalismo. Ela costumava dizer que seus primeiros motivos de bolinhas e redes infinitas teriam brotado ainda na infância, durante alucinações intensas em que as flores da casa familiar pareciam cobrir paredes, teto e seu próprio corpo. Ela batizou essa abordagem de «auto-oblitération», convidando o público a fundir sua individualidade no cosmos.

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