Os habitués sabem que a Nuit Blanche é talvez a noite mais louca de Paris e da Île-de-France. E para quem ainda não conhece o evento, como descrevê-lo... ? É uma noite em que se pode assistir a um concerto de toupeiras gigantes. E dança sufí no Petit Palais. E espuma colorida que sai do Centre Pompidou. Ou ainda desfiles de moda, espetáculos de som e luz, karaokês gigantes, lutas de wrestling, concertos de xilofones...
Como já deve ter percebido, a Nuit Blanche é uma grande festa da artecontemporânea que transforma Paris e os seus arredores num museu ao ar livre. Durante esta noite excecional, tudo pode acontecer! Em todo o caso, os artistas participantes estão determinados a surpreender-nos a cada nova edição...
Quais loucuras nos esperam em 2026? A Nuit Blanche volta no sábado, 6 de junho, para a sua 25ª edição. E se você está em busca da próxima surpresa, já pode incluir a Maison populaire de Montreuil no seu roteiro da noite.
O centro de arte e cultura popular do bairro 93 preparou alguns eventos surpreendentes e emocionantes, que deverão sem dúvida agradar a muitos amantes da arte contemporânea.
No âmbito de sua residência curatorial, Line Gigs e Fanny Testas convidam você para Je est une autre, uma programação para a Noite Branca 2026, com as artistas e artistas seguintes: Annie Sprinkle e Beth Stephens, Vava Dudu, H·Alix Sanyas e Cuco Cuca
Para a Noite Branca 2026, Annie Sprinkle e Beth Stephens são convidadas a apresentar uma conferência para explorar os vínculos entre amor, sexualidade, ecologia e engajamento social. Por meio de rituais coletivos, incluindo uma série de casamentos simbólicos, as artistas nos convidam a celebrar nossos laços com seres humanos, não humanos, elementos ou o planeta.
Annie Sprinkle e Beth Stephens
Depois de transformar sua experiência como trabalhadora do sexo e atriz em arte com performances radicais nas décadas de 1980-1990, a artista, performer e militante Annie Sprinkle desenvolve, com sua parceira Beth Stephens — artista e professora da Universidade de Santa Cruz — uma teoria ecossinética que chamam de ecosexualidade. Em 2008, publicam conjuntamente o “Ecosex Manifesto”.
Emergida no início dos anos 2000, a ecosexualidade é, ao mesmo tempo, uma prática ecológica e erótica, que adota uma postura crítica em relação ao antropocentrismo — a visão de mundo que coloca o humano no centro de tudo. Ela desconstrói normas de gênero, de sexualidade e de natureza, mobilizando prazer, humor e alegria como ferramentas políticas. Nessa abordagem, a Terra deixa de ser uma “mãe” — figura tradicional associada ao patriarcado — e passa a ser uma amante.
Uma projeção de seu filme Water Makes Us Wet—An Ecosexual Adventure permitirá aprofundar sua visão de amor pela planet
Este evento propõe explorar o trabalho de Vava Dudu através da temática do amor, entendido como um campo de experimentação artística e social.
Figura singular da cena contemporânea, Vava Dudu desenvolve uma prática pluridisciplinar que questiona normas ligadas ao corpo, à identidade e às relações afetivas. Sua abordagem do amor inscreve-se em uma reflexão mais ampla sobre formas de marginalidade, expressão individual e construção de subjetividades.
Uma seleção de obras têxteis de Vava Dudu será pendurada nos jardins da casa popular, e pessoas interessadas em vestir nos próprios trajes as mensagens e desenhos dela serão pintadas ao vivo durante uma apresentação da artista. O evento destaca a forma como a artista aborda conceitos de apego, transformação e autorrepresentação.
Vava Dudu nasceu em 1970 em Paris, onde vive e trabalha. De 2012 a 2018 residiu em Berlim. Em 1985 deixou o colégio aos 15 anos e ingressou na classe preparatória de Belas Artes da Academia Grandes Terres, depois na escola de moda Fleuri Delaporte. Practicando desde então tanto criação têxtil quanto desenho, poesia e música, ela produz roupas e obras que testemunham sua multidisciplinaridade. Estilista independente, já trabalhou como figurista para Jean-Paul Gaultier e colaborou com Björk, Lady Gaga, Marilyn Manson, Neneh Cherry, Kate Moss e John Galliano. Em 2001, Vava Dudu e Fabrice Lorrain ganharam o Prêmio da Associação Nacional para o Desenvolvimento das Artes da Moda (ANDAM). Eles organizaram um desfile nos backrooms do clube gay Les Docs, na Rue Saint-Maur. Seu trabalho já foi apresentado em exposições e performances, especialmente no Confort Moderne (Poitiers, França), Palais de Tokyo (Paris, França), no Musée d’Art Moderne de Paris (França), na Lafayette Anticipations (Paris, França) ou no Komplot (Bruxelas, Bélgica). Vava Dudu reivindica sua posição de outsider das artes contemporâneas ao afirmar “prefiro os extremos aos meios-termos”. Sua atuação como estilista e artista convive com sua atividade de cantora no grupo La Chatte, fundado em 2003 com Stéphane Argillet e Nicolas Jorio, com quem lançou cinco álbuns. Seu universo artístico, que mescla textos e desenhos, estende-se por diversos suportes.
Juntos, Cuco Cuca e H·Alix Sanyas vão apresentar a performance Do List, convite radical a dois.
Cuco Cuca
Cuco Cuca é um hacker-sonhador transgênero nascido em 2011. Entre manifestações, festas clandestinas e intervenções noturnas, ele transforma a cidade em terreno de experimentação política e artística. Seu trabalho mistura projeções pirateadas, vozes modificadas, dispositivos luminosos e remixes digitais para questionar vigilância, normas sociais e identidades fixas. Para ele, o queer não é apenas uma estética, é uma forma de confundir códigos, deixando corpos e narrativas instáveis, livres e inatingíveis. A noite ocupa papel central em sua prática: espaço de fuga, encontro e resistência. Em cortejos e nos clubes, Cuco Cuca busca o momento de bug coletivo, aquele instante em que os sistemas de controle vacilam e surgem novas formas de comunidade.
H. Alix Sanyas
H·Alix Sanyas é uma artista, realizadora, designer gráfica e formadora em design gráfico. Sua prática foca na criação de ferramentas de resistência e sinais de apoio para as comunidades transfeministas. H·Alix foi membro ativo — como ativista e designer — de diversos coletivos. Trabalha também com inúmeras colaboradoras feministas no campo do design gráfico. Junto com outras, cofundou em 2018 a coletiva de tipografias pós-binárias Bye Bye Binary, que sustenta e desenvolve o desenho de caracteres pós-binários, integrando-se ao movimento livre e à organização de exposições, conferências e publicações.
Evento em parceria com nossas amigas da MABA de Notent-sur-Marne para celebrar, na amizade, seus 20 anos e os 60 da Casa Popular.
Le programme est mis à jour en fonction des annonces officielles.
Feliz Nuit Blanche!
Datas e horário de abertura
No 6 de junho de 2026
Localização
Casa popular de Montreuil
9 Rue Dombasle
93100 Montreuil
Tarifas
Grátis
Site oficial
www.paris.fr