Nuit Blanche 2026: vozes indígenas para ouvir no Espaço Frans Krajcberg

Por Laurent de Sortiraparis · Actualizado em 25 de maio de 2026 às 13h03
Para a Nuit Blanche, o Espaço Frans Krajcberg recebe uma performance poética e sonora em torno dos relatos indígenas, com Yuwey Henri e Trudruá Dorrico, que pode ser conferida gratuitamente em 6 de junho de 2026.

Noite Branca é uma grande noite gratuita em que se passeia por Paris para descobrir obras, performances e espaços algumas vezes abertos de forma diferente, no sábado, 6 de junho de 2026. No Espace Frans Krajcberg, centro de arte contemporânea Art & Nature do 15º arrondissement, o encontro ganha uma expressão mais calma e sensível com Elobolo molo waïpɨnaï... (É aqui que me amei), um projeto sonoro de Yuwey Henri, e Nossas palavras-histórias, uma performance poética de Trudruá Dorrico, a ser apresentada das 18h à meia-noite. O público ouve vozes indígenas, relatos de amor, línguas e histórias que raramente se cruzam pelas ruas de Paris.

Essa escolha de local não é por acaso, pois o Espace Frans Krajcberg já carrega uma história ligada às memórias, aos territórios e ao vivo. Situado ao final do caminho do Montparnasse, esse espaço discreto é dedicado à obra de Frans Krajcberg, artista brasileiro de origem polonesa, ao mesmo tempo escultor, pintor e fotógrafo. Muito marcado pela destruição dos cenários e pela relação entre o ser humano e a natureza, ele construiu uma produção engajada em torno do vivo. O centro conserva uma parte das obras que legou à cidade de Paris e hoje mantém um trabalho voltado à arte, ao meio ambiente e aos territórios.

Nesse contexto, a soirée proposta para Nuit Blanche 2026 assume uma dimensão mais íntima. O projeto de Yuwey Henri, poetisa e militante da nação Kalin’a Tɨlewuyu, traz à tona histórias de amor de pessoas indígenas que vivem na cidade. A performance de Trudruá Dorrico, escritora e pesquisadora do povo Makuxi, prolonga essa escuta com poemas indígenas brasileiros. Um momento simples de viver durante a noite, do qual se pode sair levando consigo algumas palavras na cabeça e vozes às quais não estamos habituados a ouvir.

A programação da Nuit Blanche 2026 no Espaço Frans Krajcberg:

  • Elobolo molo waïpɨnaï… (É aqui que eu me amei…) / Performance poética Nossas palavras-histórias
    Sábado, 6 de junho de 2026, das 18h00 às 00h00

    Instalação.
    Yuwey Henri é uma talãmelonin (poetisa, autora), onumingadoton (pensadora) e owomatodon (militante) da nação Kalin'a Tɨlewuyu (povo indígena da “Guiana Francesa”) e franco-brasileira. É presidente da Documents d'Artistes Caraibes et Amazonies (DDACA), uma organização que busca promover e difundir a arte contemporânea desses territórios. Yuwey trabalha ativamente pela construção do futuro Kalin'a. Seu objetivo é fortalecer a proteção das culturas indígenas de seu território ancestral, ainda fortemente afetadas pela colonização. Por meio do pensamento que desenvolve e que batiza de “Landguage Back”, ela se emancipa. Suas criações, que denunciam as estratégias estatais historicamente epistêmicas, carregam a promessa de reencontrar-se, de reconhecer integralmente a si mesma para combater o apagamento e o esquecimento sistêmicos.
    Elobolo molo waïpɨnaï… (É aqui que me apaixonei…) é um projeto sonoro que convida quem ouve a acompanhar as histórias de amores de pessoas indígenas presentes nos espaços urbanos. Ao ritmo dos sons da cidade, de humanos e não-humanos que nela habitam, as sonoridades moldam os relatos para dar visibilidade a vozes invisibilizadas.

    Trudruá Dorrico pertence ao povo Makuxi. Doutora em teoria literária pela PUCRS, é escritora, conferencista e pesquisadora em literatura indígena. Foi curadora da exposição “Nhande Marandu”: uma etnomídia indígena, no Musée do Amanhã (Rio de Janeiro, Brasil, 2022-2023). Residente na Cité Internationale des Arts, em Paris, em 2023, proferiu um poema na abertura da exposição “Sonhar a Terra” no Espaço Frans Krajcberg. Em 2024, reside no LABVERDE (Amazonas). Em 2025, atua como curadora convidada da XV Bienal Internacional do Livro do Ceará e do 1º Festival de Literatura Indígena do Musée des Cultures Autochtones, Ayvu Nhevaitim (FLAN) – Encontro das Vozes Indígenas. Sua obra “Tempo de Retomada” (autêntica, 2025) é tema do Boi Caprichoso, no Festival de Parintins (Amazonas).
    Nosso mots-histoires é um momento de leitura de poemas de sua própria autoria e de poetas indígenas brasileiros. “Nesta noite, busco o mot-música, o mot-história, o mot-resistência, o mot em sua forma original”.
    Com o apoio de: Prefeitura de Paris; Fundação Yves Rocher; Serviço Cívico; Senhor e Senhora Louis de Ségur de Charbonnières e ARTVERS.
    Com a curadoria de: Capucine Boutte, Associação dos Amigos de Frans Krajcberg.



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Informação prática

Datas e horário de abertura
No 6 de junho de 2026
De 18h a 23h55

× Horários de abertura aproximados: para confirmar os horários de abertura, contactar o estabelecimento.

    Localização

    21 Avenue du Maine
    75015 Paris 15

    Planeador de rotas

    Informação sobre acessibilidade

    Acesso
    Estação "Falguière" da linha 12 do metro

    Tarifas
    Grátis

    Site oficial
    www.paris.fr

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