Sortudos Vencedores, a comédia negra dirigida por Maxime Govare e Romain Choay, vai ser exibida no France 2 no domingo, 26 de julho de 2026, às 21h10. Lançado nos cinemas em 2024, o filme reúne, entre outros, Audrey Lamy, Fabrice Eboué, Anouk Grinberg, Pauline Clément e Louise Coldefy.
Através de quatro histórias, Felizes ganhadores acompanha várias pessoas cuja vida vira do avesso após ganhar na loteria. O que deveria trazer-lhes liberdade, segurança ou felicidade rapidamente se transforma em fonte de conflitos, de medo e de situações fora de controle.
Uma família tenta esconder um bilhete premiado; uma mulher percebe que a fortuna não resolve os problemas do casal, enquanto outros personagens enfrentam a cobiça, a culpa ou as consequências, por vezes violentas, da sua nova riqueza. O filme entrelaça essas histórias em torno de uma ideia comum: vencer pode revelar-se muito mais perigoso do que perder.
Dirigido por Maxime Govare e Romain Choay, Heureux gagnants adota a forma de um filme de esquetes e usa humor negro para desviar o fascínio pelo grande prêmio. Cada segmento explora uma faceta diferente do dinheiro súbito: segredos familiares, ganância, medo de perder tudo ou a transformação das relações com os entes queridos.
O elenco também reúne Victor Meutelet, Mathieu Lourdel, Sam Karmann, Anne Charrier, Yasin Houicha e Vincent Dedienne. O conjunto alterna situações absurdas, escalada de tensão e sátira social, em um registro mais sombrio do que o de uma comédia tradicional.
Nossa opinião sobre Sortudos ganhadores
Com a premissa inicial — mostrar que ganhar na loteria pode se tornar a pior coisa do mundo — Sortudos ganhadores tinha material para construir uma comédia negra mordaz sobre o dinheiro, a ganância e os fantasmas do sucesso. O filme opta pela forma de quatro relatos distintos, conectados pela mesma ideia: por trás de cada jackpot esconde-se uma catástrofe prestes a explodir.
Alguns segmentos funcionam melhor do que outros, sobretudo quando o roteiro deixa os personagens mergulharem gradualmente em situações absurdas ou cruéis. O elenco corresponde bem a esse humor volutariamente ácido, com intérpretes como Audrey Lamy, Fabrice Eboué ou Anouk Grinberg, capazes de imprimir ritmo e energia a personagens rapidamente traçados.
No entanto, o filme costuma faltar delicadeza. Onde uma sátira mais cortante poderia atingir em cheio, Sortudos ganhadores reforça seus efeitos, repete suas intenções e leva as situações até uma forma de exagero. O humor, às vezes, torna-se pesado, especialmente quando as piadas se sustentam mais na caricatura, na violência ou na acumulação do que em um verdadeiro senso de deslocamento. O formato de episódios também acentua essa sensação de desequilíbrio: cada nova história dá impulso ao filme, mas impede que os personagens e as ideias ganhem profundidade real.
Essa encenação assumida pode, no entanto, seduzir espectadores fãs de comédias pretas francesas, de gosto duvidoso afirmado e de tramas onde tudo acaba por degenerar. Aquele que aprecia cinema em estilo de sketches, reviravoltas macabras e personagens dispostos a perderem toda dignidade por dinheiro pode encontrar nele entretenimento ritmado e algumas cenas eficazes.
Quem busca um humor mais sutil ou uma sátira social mais apurada tende a ficar à margem. Apesar de uma ideia promissora e de um elenco sólido, Sortudos ganhadores transforma com frequência sua escuridão em uma máquina de manobra. O filme se vê mais pela energia, pelo gosto pelo caos e por algumas atuações bem afinadas do que pela profundidade de seu retrato sobre o dinheiro e a natureza humana.
Confira o trailer de Vencedores Felizes:
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