Dirigido e roteirizado por Emerald Fennell, este drama romântico estrelado por Margot Robbie, Jacob Elordi e Hong Chau chega aos cinemas da França em 11 de fevereiro de 2026. Baseado no romance Wuthering Heights de Emily Brontë, o filme é distribuído pela Warner Bros. Pictures e oferece uma releitura ambientada em uma atmosfera gótica e apaixonada.
A história retoma a relação conturbada entre Cathy Earnshaw e Heathcliff. A ligação entre eles transforma-se numa sucessão de tensões emocionais, moldadas por obstáculos familiares e sociais. A evolução da sua história destaca os impactos dessa paixão no seu ambiente.
O enredo explora os sentimentos destrutivos que unem as duas personagens. O seu apego alimenta uma espiral marcada por rupturas, reencontros e efeitos duradouros deixados em várias gerações.
A Warner Bros. Pictures indica que o filme é uma reinterpretação ambiciosa do romance. O projeto é produzido por Emerald Fennell, Josey McNamara e Margot Robbie. Tom Ackerley e Sara Desmond são os produtores executivos. As filmagens contam com colaboradores habituais da realizadora, incluindo Linus Sandgren na imagem, Suzie Davies na direção artística, Victoria Boydell na montagem e Jacqueline Durran nos figurinos. A banda sonora original inclui temas compostos por Charli XCX.
Esta versão destaca cenários naturais e uma atmosfera dramática. Os temas abordados são amores frustrados, violência emocional e a dificuldade dos personagens em escapar ao seu destino. O filme destina-se a um público atraído por narrativas clássicas adaptadas com uma abordagem contemporânea.
Nossa opinião sobre "O Morro dos Ventos" :
Com O Morro dos Ventos, Emerald Fennell enfrenta de frente um dos maiores ícones da literatura inglesa, não para fazer uma adaptação reverente, mas para extrair uma experiência sobretudo sensorial, corporal e visceral. Logo nas primeiras cenas, o filme já dá o tom: o cenário vira palco de pulsões, os corpos se entregam à depravação, e a direção busca mais fazer sentir do que simplesmente contar. A cena dos enforcados que abre o filme funciona como um manifesto estético: aqui, o exagero não é uma falha, mas uma linha orientadora.
Essa abordagem, profundamente polêmica, permeia toda a obra. Fennell privilegia a intensidade emocional e a superfície das sensações em detrimento da rigidez narrativa ou da complexidade social do romance de Emily Brontë. A paixão entre Cathy e Heathcliff é retratada como uma obsessão tóxica, alimentada por ego inflamado, vingança e desejo bruto, ao ponto de esvaziar o drama de sua dimensão trágica e política. O filme nunca busca uma análise, mas sim uma afirmação radial: explode na tela, transborda e saturam som e imagem.
Formalmente, O Morro dos Ventos impressiona com facilidade. A fotografia de destaque de Linus Sandgren enaltece as paisagens selvagens, os cenários e os figurinos, sempre acentuados por uma luz quase pictórica. Cada plano parece pensado como uma imagem icônica, às vezes à beira do ilustrativo, mas sempre deslumbrante. A trilha sonora, rugosa e presente o tempo todo, envolve o filme numa atmosfera opressiva, reforçando a sensação de um longo vertigem sensorial mais do que de uma narrativa estruturada.
Essa ostentação estética é tanto a força quanto a limitação do filme. Embora sua mise-en-scène exuberante seja inegavelmente cativante, pouco resta após o término da sessão. A emoção é instantânea, quase física, mas difícil de perdurar. A escuridão moral, a violência social e a crueldade geracional que conferem profundidade ao romance ficam em segundo plano, substituídas por uma melodramatização erótica que valoriza o impacto visual em detrimento da densidade do argumento.
Portanto, O Morro dos Ventos fala especialmente a um público sensível ao excessivo, às releituras pop e às obras cinematográficas que assumem o too much como uma decisão artística. Espectadores em busca de uma experiência imersiva, impulsionada por música, fotografia e iconografia contemporânea, encontrarão um filme hipnotizante, às vezes fascinante, jamais morno. Quem se encantou com a abordagem provocadora de Fennell em trabalhos anteriores reconhecerá aqui uma coerência autoral.
Por outro lado, leitores que valorizam a complexidade literária de Os Hocicos de Ventos, sua crítica social e sua violência moral podem se sentir prejudicados. O filme não dialoga com o texto original: o atravessa, o transforma, às vezes lhe retira substância. O final, um pouco alongado, reforça essa sensação de obra que se rende ao próprio vertigem sem sempre saber como sair dela.
Obra intensamente controversa, O Morro dos Ventos é menos uma adaptação do que uma reinterpretação radical. Visualmente deslumbrante, por vezes desconcertante, frequentemente frustrante na essência, confirma o talento de Emerald Fennell para experiências sensoriais extremas. Um movimento audacioso do cinema, porém irregular, que dividirá opiniões entre aqueles que se deixam levar pela tempestade de sensações e os que lamentarão que, no meio dessa fúria visual, a tragédia de Brontë tenha perdido parte de sua escuridão e profundidade.
"O Monte do Vento" Filme | 2026
Nos cinemas em 11 de fevereiro de 2026
Drama romântico | Duração: 2h16
Por Emerald Fennell | Com Margot Robbie, Jacob Elordi, Hong Chau
Título original: Wuthering Heights
Nacionalidade: Reino Unido / Estados Unidos
O filme apresenta uma nova adaptação do texto de Emily Brontë, centrada na intensidade das relações e na dimensão trágica desta narrativa fundadora.
Para prolongar a experiência na sala de cinema, confira as estreias de fevereiro, os filmes em cartaz e nossa seleção de dramas do ano.
Esta página pode conter elementos assistidos por IA, mais informações aqui.















