Is This Thing On? no Disney+, Bradley Cooper filma um casal em crise: nossa opinião

Por Julie de Sortiraparis · Actualizado em 30 de outubro de 2026 às 21h27
Is This Thing On?, de Bradley Cooper, com Will Arnett e Laura Dern, chega ao Disney+ na França em 27 de novembro de 2026. Confira nossa crítica sobre esse drama conjugal.

Is This Thing On ? chega ao Disney+. Depois de Maestro e A Star Is Born, Bradley Cooper retrata um casal em meio a uma crise, com Will Arnett e Laura Dern. O filme estreou nos cinemas franceses em 25 de fevereiro de 2026.

A história segue Alex, um homem em plena crise existencial, e Tess, sua esposa, enquanto o casamento deles desmorona. Alex, aos 50 anos, procura reinventar-se no mundo do stand-up nova-iorquino. Tess, por sua vez, reavalia as concessões da sua vida familiar. Juntos, eles exploram a possibilidade de um novo equilíbrio amoroso.

O filme é coproduzido pela Searchlight Pictures e Lea Pictures. Bradley Cooper assina o roteiro com Will Arnett e Mark Chappell, conhecido por Coup de théâtre. As filmagens ocorreram principalmente em Nova Iorque. Will Arnett, figura da comédia americana (Arrested Development), divide o cartaz com Laura Dern, premiada com o Oscar por Marriage Story. Andra Day, Ciarán Hinds, Amy Sedaris e Sean Hayes completam o elenco.

Nossa opinião sobre Is This Thing On ?

Com Is This Thing On?, Bradley Cooper prossegue sua jornada de exploração íntima iniciada em Maestro, agora focada na degradação do casamento, em vez do surgimento de um mito. Apoiado por Will Arnett e Laura Dern, o filme acompanha Alex e Tess, um casal há mais de vinte anos, pais de dois filhos, que se encontram em um momento decisivo: ainda se amam, mas já não encontram felicidade. Inspirada em uma história real, a narrativa acompanha a tentativa de Alex de se reinventar através do stand-up — não como busca por fama, mas como uma válvula de escape.

Desde as primeiras cenas, Cooper estabelece um ritmo lento e introspectivo. Aqui, não há rupturas dramáticas ou gritos catárticos. O filme prefere focar nos gestos cotidianos, muitas vezes de forma quase obsessiva — as várias cenas em que a família escova os dentes tornam-se um símbolo estranho e revelador. Esse ritual repetido personifica a rotina, a mecanicidade de uma casa que ainda funciona, mas cujo ímpeto vital parece ter se esgotado. O casal não desaba: lentamente se desgasta.

A direção acompanha essa fragilidade. Cooper filma os silêncios, os olhares evasivos, as pequenas oscilações emocionais com uma atenção quase documental. A câmera costuma ficar na altura dos olhos, captando mais as hesitações do que as palavras. Como em Maestro, o objetivo não é julgar, mas observar. A pergunta que atravessa o filme — o que fazer quando o amor permanece, mas a felicidade se esvaiu? — recebe uma resposta complexa, sempre aberta.

O stand-up funciona então como um espelho. As cenas de microfone aberto e de comedy clubs não são filmadas como momentos de triunfo, mas como espaços de vulnerabilidade. Alex não se torna repentinamente um prodígio; o filme mantém intencionalmente o mistério sobre seu verdadeiro talento. Ele é engraçado ou apenas busca uma válvula de escape? Essa ambiguidade alimenta um dos debates críticos mais relevantes do filme. Cooper parece menos interessado no sucesso artístico do que no que a cena permite: dizer aquilo que não pode mais ser dito em casa.

Will Arnett surpreende com uma atuação mais contida do que de costume. Seu Alex é desajeitado, comovente, às vezes patético, nunca heróico. Laura Dern, por sua vez, interpreta uma mulher cansada, mas lúcida, que oscila entre uma ternura residual e a necessidade de se preservar. A dinâmica entre eles se sustenta numa interpretação extremamente precisa: nada é teatralizado, tudo é contido. A cena em que a mãe de Alex reage à decisão dele de subir ao palco — “Eu não fazia ideia de que sua vida fosse tão difícil” — resume, de forma contundente, a distância entre a percepção externa e o desconforto interior.

A trilha sonora, discreta mas significativa — especialmente na cena em que as crianças tocam Under Pressure — reforça, sem exageros, a tensão no lar. O filme fala menos de uma ruptura definitiva e mais da pressão silenciosa, da sensação de sufocamento progressivo que não precisa de dramatização, apenas de uma revelação gradual.

Is This Thing On? é sobretudo para um público sensível às nuances dos dramas conjugais, às histórias que privilegiem a complexidade emocional mais do que a narrativa rápida. Quem busca uma comédia romântica dinâmica ou um filme sobre stand-up com brilho espetacular pode se sentir deslocado: o filme é lento, contemplativo, às vezes quase parado. Por outro lado, quem se interessa por as dynâmicas de relacionamentos longos, por transições de vida e pelas zonas cinzentas do apego, vai encontrar uma obra sutil e profundamente humana.

Poderíamos criticar o filme por sua certa morosidade dramática ou por alguns atalhos na representação do universo do stand-up. Mas sua força está na recusa de simplificar. Cooper assina um filme maduro, delicado, que aceita que algumas histórias não terminam com um triunfo, mas com uma tomada de consciência.

Nem pura comédia, nem um drama esmagador, Is This Thing On? é uma reflexão doce amarga sobre rotina, amor e a possibilidade de se reinventar. Um filme que não busca encantar, mas entender.

Para ir mais longe, confira também nossa seleção de novidades do Disney+ em novembro, nosso guia de lançamentos de streaming em todas as plataformas e a seleção do dia: O que assistir hoje no streaming.

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Informação prática

Datas e horário de abertura
No 27 de novembro de 2026

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    Site oficial
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