Dirigido por Akihiro Hata, que assina o roteiro junto com Jérémie Dubois, Grand Ciel é um thriller dramático protagonizado por Damien Bonnard, Samir Guesmi e Mouna Soualem. Apresentado como um filme para toda a família, sua estreia nos cinemas franceses está marcada para 21 de janeiro de 2026. A obra se insere no cinema social contemporâneo, ao mesmo tempo em que incorpora uma dimensão sensorial e quase fantástica, influenciada pelo cenário principal: um grande canteiro de obras urbano filmado à noite.
Vincent faz parte de uma equipe que trabalha durante a noite na construção de Grand Ciel, um novo bairro futurista em fase de desenvolvimento. Nesse universo temporário, composto de concreto à vista, andaimes improvisados e subterrâneos labirínticos, os operários se cruzam frequentemente, nem sempre trocando palavras, unidos por turnos diferenciados e condições de trabalho exaustivas.
Quando um deles desaparece sem deixar rastros, Vincent e seus colegas suspeitam rapidamente que a polícia está abafando um acidente. O ceticismo cresce e começa a abalar a frágil união do grupo. A preocupação aumenta ainda mais quando um segundo operário também desaparece, reforçando a noção de um sistema onde algumas vidas parecem poder ser apagadas sem consequência.
À medida que a investigação informal avança, o filme se torna mais inquietante. Grande Céu questiona o desaparecimento dos indivíduos, o medo de perder o status e a solidão no trabalho, transformando o canteiro de obras num espaço que é tanto mental quanto físico, onde a realidade social adquire uma aura de estranheza.
O ponto de partida do filme tem origem em um fato real. Em 2015, Mamadou Traoré, trabalhador temporário sem documentos, faleceu em seu local de trabalho sem que sua ausência fosse percebida de imediato, uma tragédia revelada por uma investigação da CGT. Akihiro Hata pegou esse episódio como um “material alegórico” para questionar a invisibilidade dos trabalhadores mais vulneráveis nas sociedades contemporâneas.
O diretor buscou combinar um realismo social rigoroso com uma pegada mais fantasmagórica. As obras, que ele observava na infância no Japão como locais ao mesmo tempo proibidos e assustadores, ganham aqui um tom quase assombrado. Essa abordagem se reflete em uma direção de cena noturna, explorando sons, reverberações e áreas de sombra, para materializar a alienação e o medo difuso.
As filmagens representaram um importante desafio logístico. Sem a possibilidade de concentrar tudo em um único local, a equipe realizou as gravações em três diferentes canteiros de obras, cada um dedicado a áreas específicas: refeitórios e algecos, subsolos, áreas externas e andares superiores. Além disso, cenas em estúdio foram adicionadas ao planejamento para criar efeitos de poeira e maquinário necessários às sequências.
No aspecto visual, Akihiro Hata contou com o colaboração do diretor de fotografia David Chizallet. Juntos, optaram por usar apenas iluminação de canteiro de obras, afastando-se do padrão habitual nas filmagens tradicionais. Inspirada pelo cinema expressionista alemão, a fotografia enfatiza contrastes marcantes e sombras intensas, conferindo ao cenário uma atmosfera orgânica e quase surreal.
O papel principal ficou a cargo de Damien Bonnard, que já é familiar com o universo da construção após Le Système Victoria. O cineasta destaca na atuação dele uma habilidade de demonstrar a dualidade de Vincent, entre o compromisso coletivo e uma interioridade perturbada. Samir Guesmi interpreta Saïd, um colega sindicalista, um personagem inspirado na história pessoal do ator, filho de um operário da construção civil.
Grand Ciel
Filme | 2026
Estreia nos cinemas: 21 de janeiro de 2026
Drama, Thriller | Duração: 1h31
Direção de Akihiro Hata | Estrelando Damien Bonnard, Samir Guesmi, Mouna Soualem
Título original: Grand Ciel
Nacionalidade: França
Selecionado na Mostra de Veneza 2025 na seção Orizzonti, onde concorre na competição, Gran Céu se inscreve numa linha de cinema engajado que questiona os aspectos pouco explorados do mundo do trabalho. A obra propõe uma reflexão sobre o desaparecimento, tanto literal quanto simbólico, usando o thriller como lente narrativa.
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