O que é que se esconde por trás do portão vigiado do 57, rue de Varenne, no 7º arrondissement de Paris? Visitar o Hôtel de Matignon, conhecer o gabinete do Primeiro-Ministro, percorrer os seus salões oficiais ou passear pelo jardim privado: a ideia parece quase inatingível. É verdade que Matignon é, ao mesmo tempo, um espaço de poder, um local de trabalho e a residência oficial do chefe do Governo. Ainda assim, as portas abrem-se ao público em ocasiões excecionais. Basta saber as datas certas... e não perder tempo a inscrever-se.
O Hôtel de Matignon não funciona como um museu. Portanto, não é possível simplesmente apresentar-se diante do portão e pedir, de forma cordial, para ver o gabinete do Primeiro-Ministro entre duas reuniões do governo. No entanto, o grande público tem duas ocasiões privilegiadas para conhecer o local: as Journées européennes du patrimoine, geralmente organizadas em setembro, e os Rendez-vous aux jardins, programados para a primavera.
As Jornadas Europeias do Património costumam ser a melhor forma de aceder ao Hôtel de Matignon. Nesta abertura excecional, o percurso pode permitir conhecer o pátio de honra, a escadaria de honra, os salões de receção, a sala do Conselho e mesmo o gabinete do Primeiro-Ministro. A visita prolonga-se normalmente no jardim, um dos espaços verdes privados mais impressionantes da capital.
O acesso é gratuito, mas, em princípio, é necessária uma pré-reserva online. Os ingressos são nominais e válidos enquanto houver lugares disponíveis: os horários podem esgotar-se rapidamente. Como as datas e as regras costumam mudar a cada ano, é melhor ficar atento: manteremos você informado neste artigo.
Pode ser exigida uma identificação cujo nome corresponda ao da reserva na entrada. Também é necessário passar por um controle de segurança e evitar bagagens volumosas.
O jardim pode ser aberto especificamente durante o Rendez-vous aux jardins, uma manifestação nacional geralmente realizada na primavera. Essa abertura não assegura necessariamente o acesso aos salões do hotel. Ainda assim, representa uma oportunidade mais bucólica de adentrar o recinto e descobrir um cenário que costuma ficar reservado a reuniões, recepções e aos passeios muito oficiais. O jardim também abriga uma tradição política curiosa: desde o fim dos anos 1970, quase todo Primeiro-Ministro planta uma árvore ali.
Antes de receber o chefe do Governo, o Matignon viveu uma vida particularmente agitada. O edifício serviu, nomeadamente, como residência parisiense dos príncipes de Mónaco. Depois foi adquirido por Talleyrand em 1808, antes de passar para as mãos de Napoleão I. Também acolheu a embaixada da Áustria-Hungria entre 1889 e 1914. O Estado francês acabou por comprá-lo e destiná-lo oficialmente ao chefe do Governo a partir de 1935. Esse passado explica a riqueza de seus ornamentos e o tom teatral dos seus salões. Matignon não é apenas um endereço político: é também um palacete com três séculos de história.
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