Uber e os VTC na rue de Rivoli: a proibição é considerada ilegal, Paris precisa ceder

Por My de Sortiraparis · Fotos de My de Sortiraparis · Actualizado em 27 de abril de 2026 às 10h28
O Tribunal Administrativo de Paris considerou ilegal a proibição imposta aos VTC de circularem na Rue de Rivoli e na Rue Saint-Antoine desde 2023. Uma vitória para a Uber, a Allocab e a Chabé, que denunciam uma violação da livre concorrência. A cidade tem três meses para cumprir a decisão proferida em 23 de abril de 2026.

É um braço de ferro que se prolonga há anos, e é a justiça que acabou de pôr fim a ele. O tribunal administrativo de Paris declarou ilegal a proibição imposta aos veículos com motorista (VTC) de circularem na via formada pela rue de Rivoli e pela rue Saint-Antoine, duas artérias centrais do 1ᵉ e do 4ᵉ arrondissement de Paris. Uma decisão proferida em 23 de abril de 2026, que representa uma vitória clara para as plataformas Uber, Allocab e Chabé, que moviam esse recurso há meses.

Como a Rue de Rivoli se tornou um símbolo da discórdia?

Desde maio de 2020, questa rua emblemática de Paris, que vai da Bastille até a Concorde, é reservada a bicicletas e pedestres. Uma medida nascida no fim do confinamento, na esteira dos famosos "coronapistas", e perpetuada pela prefeitura. Por meio de um decreto de 31 de julho de 2023, a prefeitura de Paris restringiu de forma permanente a circulação de automóveis ao longo desse eixo a apenas uma via no lado par, proibida aos VTCs, mas não aos táxis. Os motoristas de VTC ficavam assim banidos de um corredor estratégico de 3,5 km ligando leste e oeste de Paris, a poucos passos do Louvre, da Hôtel de Ville e da Place de la Bastille.

Por que a Justiça deu razão aos VTC?

A cidade justificava essa restrição com dois objetivos: incentivar modos de deslocação ativos e garantir a fluidez do tráfego para permitir uma intervenção rápida dos serviços de emergência. No entanto, o tribunal não se deixou convencer por esses argumentos. Os juízes observaram que os veículos de emergência estão autorizados pelo código de estrada a ocupar as vias cicláveis, e que a proibição de VTCs não era, portanto, necessária para assegurar a passagem deles.

Além disso, o tribunal afirmou que a proibição representava uma violação desproporcional da liberdade de comércio e das regras de concorrência, reservando de fato a atividade de transporte individual mediante reserva apenas aos táxis. Para as empresas requerentes, é a confirmação de uma injustiça denunciada há anos: serem excluídas de um eixo crucial em favor exclusivo de uma profissão concorrente, sem justificativa sólida.

O que vai acontecer na prática com os VTC na Rue de Rivoli?

O tribunal ordenou ao prefeito de Paris que autorize o acesso dos VTC às faixas reservadas do lado par das ruas Rivoli e Saint-Antoine num prazo de três meses. Ou seja, até o verão de 2026, os motoristas de VTC deverão poder reintegrar essas faixas, no mesmo pé de igualdade dos táxis. Resta uma grande incógnita: a Câmara Municipal de Paris pretende recorrer dessa decisão? A prefeitura, por ora, não divulgou quais são as suas intenções.

Do lado dos requerentes, a satisfação é total. Em um comunicado, as empresas envolvidas saudam o “fim de uma discriminação infundada” que lhes impedia de atuar normalmente em um dos corredores mais movimentados da capital. Para os usuários desses serviços, a decisão pode também traduzir-se em tempos de viagem mais curtos e menos desvios impostos aos motoristas.

Este caso ilustra a tensão persistente entre a política de mobilidade parisiense, voltada para as mobilidades suaves e a redução do espaço dedicado ao automóvel, e as exigências do direito da concorrência, que se aplicam inclusive ao espaço urbano. O tribunal administrativo de Paris lembrou que os ajustes de circulação não podem ignorar as regras que enquadram o exercício das atividades profissionais. Um sinal que a Cidade de Paris deverá integrar nas suas futuras decisões de planejamento urbano.

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Informação prática

Localização

75 Paris

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