Mickey 17 é um filme de ficção científica escrito e realizado por Bong Joon-ho, com Robert Pattinson, Naomi Ackie, Steven Yeun, Toni Collette e Mark Ruffalo. Adaptado do romance Mickey7de Edward Ashton, o filme será transmitido no Canal+ na sexta-feira, 7 de novembro de 2025, às 21h10.
Após o sucesso de Parasite, Bong Joon-ho assina com Mickey 17 uma sátira futurista em que um homem clonado enfrenta o seu próprio duplo. O realizador sul-coreano explora novamente os temas da desumanização, do poder e da luta de classes, num cenário frio e opressivo.
O filme acompanha Mickey Barnes, um «expendível» encarregado de realizar missões suicidas durante uma colonização espacial. Regenerado após cada morte, ele descobre um dia que uma nova versão de si mesmo, Mickey 18, já tomou o seu lugar. A partir daí, inicia-se uma luta absurda pela identidade, revelando a sátira social e moral no cerne da narrativa.
Mickey 17 aborda questões de clonagem, ética e valor humano com o humor negro típico de Bong Joon-ho. Robert Pattinson oferece uma atuação contrastante, oscilando entre comédia absurda e desespero existencial. Os coadjuvantes, incluindo Mark Ruffalo e Toni Collette, encarnam diferentes formas de autoridade e corrupção, acentuando o alcance político do filme.
Visualmente, o filme alterna entre os interiores confinados da nave e as paisagens geladas de um planeta inóspito. Os efeitos especiais minimalistas e o design de som reforçam a sensação de isolamento e repetição. O realizador demonstra o seu domínio do tom, passando da comédia negra à fábula filosófica.
Acessível aos amantes de ficção científica inteligente e dramas existenciais, Mickey 17 questiona a condição humana através de uma trama de clones e sobrevivência. A sua sátira ao mundo do trabalho e aos sistemas de dominação torna-a uma obra tão perturbadora quanto lúcida.
Mickey 17
Filme | 2025
Transmissão no Canal+ a 7 de novembro de 2025 às 21h10
Título original: Mickey 17
Nacionalidade: Coreia do Sul / Estados Unidos
O filme acompanha Mickey Barnes, um dispensável envolvido numa missão de colonização espacial, cujo papel é morrer e ser regenerado para realizar tarefas perigosas. Este ciclo infinito de mortes e ressurreições destaca o absurdo da sua condição e a dessensibilização da tripulação face aos seus sacrifícios.
O realizador sul-coreano continua aqui a sua crítica aos sistemas opressivos e à luta de classes, como fez com Snowpiercer e Parasite. Através de Mickey, figura máxima do trabalhador explorado e substituível, Mickey 17 torna-se uma sátira mordaz do mundo do trabalho moderno. O filme levanta uma questão perturbadora: se somos todos substituíveis, temos algum valor real?
Mickey 17 é também uma sátira política que critica o capitalismo, a desumanização no trabalho e os excessos autoritários. As personagens secundárias encarnam diferentes facetas do poder e da opressão: Mark Ruffalo, o líder narcisista da missão, é uma figura política grotesca que se agarra à sua autoridade apesar dos seus repetidos fracassos; Toni Collette, obcecada pelo poder e pela imagem que projeta, ilustra a hipocrisia das elites; por outro lado, Naomi Ackie, namorada de Mickey, é uma soldado competente que questiona as normas estabelecidas, trazendo uma dinâmica de resistência contra esse sistema absurdo.
Robert Pattinson atinge aqui o auge da sua carreira. Ele se entrega como nunca nas cenas de ação, encarnando um Mickey ao mesmo tempo desajeitado, cativante e desesperadamente obstinado. Sua interpretação física é impressionante, passando do pânico total à resignação estoica com uma fluidez notável. Sua narração, pontuada por um humor absurdo, reforça a dimensão satírica do filme. Mickey, apesar do seu papel ingrato de descartável, mantém uma ingenuidade comovente, o que torna as suas desgraças tão engraçadas quanto comoventes. Pattinson oferece uma atuação matizada, entre a comédia e a tragédia, e prova mais uma vez o seu talento camaleónico.
Embora Mickey 17 comece como uma comédia de ficção científica delirante, o tom evolui progressivamente para uma reflexão mais profunda. À medida que Mickey compreende que é apenas uma engrenagem na máquina, o filme toma um rumo mais melancólico e existencial, questionando a identidade e o medo de ser substituído. Essa mudança do absurdo para a angústia existencial lembra obras como Severance ou Edge of Tomorrow.
A construção do filme alterna entre cenas de ação intensas e momentos de comédia negra, criando um equilíbrio entre tensão dramática e sátira mordaz. A progressão linear da narrativa é ritmada pelas múltiplas mortes e ressurreições de Mickey, ilustrando a monotonia e o absurdo de sua condição de trabalhador sacrificável. Os confrontos com Mark Ruffalo acrescentam uma camada adicional de cinismo e crítica ao poder. Numa cena memorável, ele diz ao Dr. Arkadi: «Arkadi, mantenha-se orgulhoso no fracasso, como eu.» Uma frase tão absurda quanto reveladora da cegueira narcisista da sua personagem, que se agarra à sua autoridade apesar do caos ambiente.
Visualmente, a maior parte do filme se passa no espaço e em um planeta hostil, coberto por neves eternas e varrido por tempestades violentas. A tripulação evolui num ambiente gelado e montanhoso, atravessado por fendas ameaçadoras, onde a sobrevivência é um desafio constante. Durante as suas explorações, descobrem a existência de seres desconhecidos que vagueiam nas sombras. Perante estas formas de vida misteriosas e inquietantes, a tripulação decide chamá-los de Creepers.
No centro da trama: um encontro fascinante entre Mickey 17 e Mickey 18, seu próprio sucessor. Depois de ser dado como morto após uma missão, Mickey 17 é resgatado pelos Creepers, que se revelam muito menos hostis do que parecem. Mas, ao regressar à nave, descobre que a tripulação já procedeu à sua reimpressão, criando uma nova versão de si mesmo, Mickey 18. Quem é então o «verdadeiro» Mickey? A réplica «Antes, quando eu morria, ressuscitava, era eu que continuava a minha vida. Agora, se eu morrer... é você que toma o meu lugar.» ilustra perfeitamente a vertigem existencial do filme. Até que ponto uma cópia continua a ser ela mesma? Bong Joon-ho explora essa ideia com uma ironia mordaz, brincando com a confusão de identidade e o absurdo de um sistema em que a vida humana se torna um bem intercambiável.
Mickey 17 irá seduzir sobretudo os amantes de ficção científica satírica e de narrativas inteligentes que misturam humor negro e reflexão existencial. Se gostou de obras como Severance, Edge of Tomorrow ou Starship Troopers, este filme é para si. Bong Joon-ho domina a arte de denunciar as absurdos do mundo moderno através de conceitos de ficção científica impactantes, e aqui apresenta um filme tão engraçado quanto mordaz.
Por outro lado, aqueles que procuram um filme de ação puro ou um enredo linear e clássico podem ficar desconcertados. Mickey 17 leva o seu tempo para explorar os dilemas do seu protagonista e apresenta um humor por vezes absurdo que pode não ser do agrado de todos os espectadores. Da mesma forma, se não aprecia filmes que jogam com a ambiguidade identitária e a sátira social, poderá achar a experiência frustrante.
Mas para aqueles que gostam de filmes que fazem rir e refletir, Mickey 17 é uma experiência única a não perder!
Com Mickey 17, Bong Joon-ho assina uma obra tão engraçada quanto vertiginosa, onde a ficção científica se torna um pretexto para explorar os defeitos da nossa sociedade. Entre comédia satírica, thriller psicológico e fábula existencial, o filme se destaca por um Robert Pattinson em estado de graça, um enredo inteligente e uma encenação tão fria quanto o seu cenário.
Entre a sátira e a reflexão metafísica, Mickey 17 impõe-se como uma fábula moderna sobre o valor da vida e o absurdo do progresso sem consciência.
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