Voici une adaptation idiomatique et fluide du texte, en restant fidèle à la structure et au contexte : L’Attachement : un drame sensible porté par Valeria Bruni Tedeschi, sacré Meilleur Film au César 2026

Por Julie de Sortiraparis · Actualizado em 27 de fevereiro de 2026 às 10h43
O filme L’Attachement, dirigido por Carine Tardieu e estrelado por Valeria Bruni Tedeschi e Pio Marmaï, conquista três prêmios César de 2026, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz para Vimala Pons.

O Apego é um drama francês dirigido por Carine Tardieu, que assina o roteiro ao lado de Raphaële Moussafir, inspirado no romance A Intimidade de Alice Ferney. Estrelado por Valeria Bruni Tedeschi, Pio Marmaï e Vimala Pons, o filme foi lançado nos cinemas em 19 de fevereiro de 2025. Apresentado na Mostra de Veneza 2024 (seção Horizontes), conquistou destaque na 51ª Cerimônia do César em 2026, levando três importantes prêmios: Melhor Filme, Melhor Adaptação e Melhor Atriz Coadjuvante para Vimala Pons.

Sandra, uma mulher de cinqüenta anos e de espírito livre, leva uma vida rotineira entre sua livraria e seu apartamento. Quando seu vizinho do andar de cima fica de repente sozinho com um garoto e um bebê, ela se vê obrigada a dividir, mesmo que relutantemente, o dia a dia daquela situação. O que começara como um favor pontual acaba se tornando, aos poucos, uma presença constante e, eventualmente, um vínculo mais intenso.

Com o passar dos dias, o apego surge nos intervalos do cotidiano: um olhar trocado, um silêncio compartilhado, uma preocupação dividida. Sandra, que sempre afirmou querer uma vida sem amarras, encontra-se inesperadamente envolvida de um modo diferente ao conviver com essa família em processo de reconstrução. O filme investiga como os vínculos se formam fora dos moldes tradicionais, entre luto, solidão e o desejo de estar presente para o outro.

Trailer de The Attachment

O Vínculo

Com O Apego, Carine Tardieu faz uma adaptação livre do romance de Alice Ferney, publicado em 2020. A cineasta decidiu focar a narrativa na personagem de Sandra, que se torna o verdadeiro coração do filme, privilegiando uma abordagem íntima e enxuta. As filmagens aconteceram com uma equipe reduzida e uma câmera na mão, planejada para se aproximar ao máximo dos atores e das crianças. A diretora de fotografia Elin Kirschfink escolheu um visual com tons naturais, alternando entre a acolhida dos interiores e uma luz mais fria ao ar livre. O filme recebeu três prêmios César em 2026 (Melhor Filme, Melhor Adaptação para Carine Tardieu, Raphaële Moussafir e Agnès Feuvre, e Melhor Atriz Coadjuvante para Vimala Pons), além de outras cinco indicações, incluindo Melhor Atriz e Melhor Ator.

Continuando na esteira de Les Jeunes Amants e Ôtez-moi d’un doute, a diretora segue explorando as relações humanas e os equilíbrios delicados. O filme insere-se na tradição do cinema dramático francês focado no universo íntimo, onde a direção de cenas valoriza rostos, silêncios e diálogos. A trilha sonora, que mistura música clássica e composições de inspiração centro-europeia assinadas por Eric Slabiak, acompanha essa dinâmica sem exagerar na ênfase emocional.

Nossa opinião sobre O Apego :

Alguns filmes impactam profundamente, outros s murmure ao ouvido. O Apego, de Carine Tardieu, pertence à segunda categoria: um drama íntimo e contido, onde a emoção se constrói nos silêncios, gestos e palavras contidas. Baseado no romance Intimidade de Alice Ferney, o filme explora como vidas frágeis se cruzam, chocam às vezes, e acabam por criar um espaço comum, sem manual de instruções ou promessas de cura imediata.

Com atuações marcantes de Valeria Bruni Tedeschi, Pio Marmaï e Vimala Pons, O Apego apresenta uma crônica sensível sobre o luto, a solidão e a reinvenção dos vínculos. Sem exagerar na intensidade, a narrativa permite que a emoção surja aos poucos, com delicadeza, transmitindo a sensação do peso de uma ausência, assim como a esperança de um novo equilíbrio. A direção de atores é precisa, dando vida a personagens complexos, cheios de contradições e modéstia.

Carine Tardieu assina uma direção orgânica, próxima aos rostos, alternando planos próximos — onde se percebem hesitações e emoções reprimidas — com planos mais abertos, que mostram os personagens num cotidiano às vezes grande demais para eles. A estética visual privilegia uma paleta suave e natural: interiores de tons quentes, onde a proximidade é reconstruída com esforço, e ambientes externos mais frios, que ampliam o isolamento inicial. Essa linguagem visual, discreta porém coesa, acompanha a evolução do vínculo, sem explicitá-la excessivamente.

O filme é profundamente marcado pela trajetória de Sandra. Vizinha há tempos, essa livreira independência se vê envolvida, quase por acidente, numa situação de emergência que a coloca no centro de uma família instável. Bruni Tedeschi constrói uma personagem de contenção, atravessada por impulsos que ela mal consegue administrar: tudo se comunica pelos olhares, posturas e frases cortadas. Em contrapartida, Alex (Pio Marmaï), um jovem pai desfeito, avança com uma fachada de leveza que nunca esconde totalmente seu cansaço e dor. O filme captura com fidelidade esse momento delicado em que se mantém a esperança “por amor às crianças”, mesmo sem saber exatamente como seguir adiante.

No centro, a relação entre Sandra e Elliot (César Botti) traz uma sinceridade valiosa: trocas às vezes desajeitadas, às vezes engraçadas, sempre ancoradas na realidade. Os diálogos, carregados de uma ironia sutil, evitam explicações fácil e o sentimentalismo. Essa cena, por exemplo, revela bastante sobre como o filme aborda força, responsabilidade e admiração infantil:
"Ter filhos é mais do que posso suportar!
- Minha mãe, ela é forte?
- Ela sabe cuidar da sua vida e não só da dela. Acho que a Cécile é muito forte."

O que impressiona é o recusa às facilidades. O filme não oferece respostas prontas para o luto ou a solidão: observa, com sensibilidade, como cada um tenta, tropeça e recomeça. O som participa intensamente dessa sensação de veracidade: uma trilha sonora discreta, toques de música clássica e silêncios eloquentes, onde se escuta respiração, uma página virada, uma criança impaciente. Todos esses detalhes criam uma intimidade que nunca precisa ser exagerada.

Além do melodrama, O Apego levanta uma questão simples e fundamental: o que define uma família? Sangue, rotina, presença ou a escolha de estar junto — mesmo que imperfeita. Tardieu não responde, e essa é uma das forças do filme: nenhum personagem é idealizado, todos têm suas perdas e limitações. Uma frase de Sandra para Alex resume essa ética do “agora”, mais do que do “salvar”:
"Sou apenas quem estava presente! Sua missão é ser feliz, para dar à Cécile um exemplo para ela guardar. Caso contrário, ela está perdida."

O Apego é um filme de ternura e modéstia, nunca sensacionalista ou exibicionista. Prefere a sutileza ao efeito fácil e permite que o espectador mergulhe lentamente na profundidade de seus personagens. Não busca impacto imediato, mas uma conexão duradoura, como esses vínculos discretos que acabam por fazer toda a diferença.

O Apego
Filme | 2025
Estreia nos cinemas: 19 de fevereiro de 2025
Drama | Duração: 1h45
De Carine Tardieu | Com Valeria Bruni Tedeschi, Pio Marmaï, Vimala Pons
Título original: L’Attachement
Nacionalidade: França

O Vínculo

Premiado pela Academia dos César, este drama consolida o lugar de Carine Tardieu no panorama do cinema francês contemporâneo, marcando a interseção entre adaptação literária e narrativa intimista centrada nas dinâmicas familiares. Com um elenco elogiado e uma direção enxuta, firma-se como uma obra significativa de 2025.

Para aproveitar a experiência no cinema ao máximo, confira as estreias do mês de fevereiro, os filmes em cartaz e nossa seleção de dramas imperdíveis do ano.

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