Dirigido por Yann Gozlan e roteirizado por Jean-Baptiste Delafon, Gourou traz Pierre Niney ao lado de Marion Barbeau, Anthony Bajon e Holt McCallany. Thriller dramático que investiga os excessos do desenvolvimento pessoal, o filme chega às telas na França em 28 de janeiro de 2026.
A história segue a ascensão de um coach carismático cujos métodos obtêm um sucesso crescente. À medida que a sua influência se expande, os mecanismosde domínio são revelados, expondo um sistema baseado na dependência afetiva e na dominação psicológica. O enredo aborda o que leva o público a procurar referências externas num ambiente em busca de sentido.
A história mostra como esse líder de aparência benevolente constrói uma comunidade fiel em torno de seminários intensivos. Os processos de manipulação tornam-se progressivamente visíveis, confrontando as personagens com a fronteira entre a busca pessoal e a perda de liberdade. O filme destaca os possíveis desvios das estruturas de coaching e as fragilidades humanas exploradas por esses sistemas.
O filme nasceu da vontade de Yann Gozlan de explorar as práticas contemporâneas de desenvolvimento pessoal. A produção indica que as filmagens foram realizadas entre espaços urbanos e cenários minimalistas, a fim de refletir a estética codificada dos seminários. Pierre Niney volta a trabalhar com o realizador depois de Boîte Noire, colaboração que o tornou conhecido por papéis que exigiam um trabalho psicológico marcante. Jean-Baptiste Delafon, argumentista, é conhecido pelo seu trabalho em séries centradas no poder e na palavra.
O tom privilegia uma abordagem tensa e realista. O ambiente baseia-se num clima progressivo de suspeita e isolamento, destinado a um público interessado em narrativas psicológicas e temas relacionados com a influência social. O filme aborda as fragilidades individuais face a discursos persuasivos e os mecanismos de grupo que podem daí resultar.
Nossa opinião sobre Gurú :
Gurú, dirigido por Yann Gozlan, segue a linha dos thrillers psicológicos contemporâneos que questionam nossa relação com o poder, a influência e a necessidade de crença. O filme retrata a ascensão meteórica de Mathieu Vasseur, o Matt, coach de desenvolvimento pessoal interpretado por Pierre Niney. Seu discurso encantador e benevolente gradualmente revela uma mecânica de manipulação cada vez mais inquietante. Inicialmente uma figura reconfortante, quase luminosa, Matt vai se tornando, aos poucos, prisioneiro de seu próprio personagem, numa lenta queda ao inferno.
A direção de Yann Gozlan impressiona pela maestria técnica. Câmera fluida, enquadramentos precisos, design de som envolvente: tudo contribui para criar uma atmosfera de fascínio, quase hipnótica, que acompanha o olhar dos seguidores do guru. O espectador é colocado numa posição desconfortável, atraído e ao mesmo tempo desconfiado, exatamente como os personagens ao redor de Matt. Essa abordagem imersiva torna palpável a dinâmica de grupo e a forma como um discurso inicialmente positivo pode, aos poucos, tornar-se uma ferramenta de dominação.
No núcleo do filme, Pierre Niney entrega uma atuação magistral. Charme, energia, e, pouco a pouco, paranóico e manipulador, ele interpreta com sutileza a complexidade narcisista de seu personagem. Sua trajetória é ainda mais perturbadora por não ser tanto uma convicção ideológica, mas um medo de perder seu status, revelando como a busca por reconhecimento pode se transformar em violência simbólica e psicológica.
Dentre os atores coadjuvantes, Anthony Bajon se destaca no papel de um participante do seminário profundamente marcado por traumas de infância. Através dele, Gurú explora uma das faces mais dolorosas do endoctrinamento: a de um homem em busca de reparo, que encontra na fala do coach um alívio real, quase libertador. Essa renovação fragilizada acaba se transformando em uma dependência afetiva. Bajon interpreta com uma intensidade tocante essa virada, quando alguém em processo de reconstrução busca a todo custo prolongar o vínculo, tornando-se o mais fervoroso apoiador de Matt e, ao fim, quase se define exclusivamente pelo olhar do mestre, levando a um desfecho trágico que o filme aborda de forma direta.
A personagem de Marion Barbeau, esposa do guru, oferece um contraponto essencial mas pouco explorado. Apresentada como uma das primeiras a perceber o desvio do marido e a violência intelectual por trás de sua discurso benevolente, ela representa a lucidez diante da autômia do coach. Sua frase — «É por eu ter dito que te amava que tenho que esquecer que tenho cérebro e acreditar em tudo o que você diz?» — sintetiza fortemente o núcleo da proposta. Ainda assim, apesar dessa função dramática clara, o personagem permanece parcialmente à margem, como se o filme hesitasse em lhe dar um ponto de vista mais autônomo.
É justamente aí que Gurú deixa uma impressão mais sutil. Se o filme atrai pelo tema, pela direção e pelo talento de suas interpretações, seu roteiro por vezes dispersa-se, multiplicando pistas — crítica social, thriller psicológico, estudo de personagem — sem aprofundá-las completamente. Essa hesitação narrativa, por vezes, prejudica o ritmo dramático, e o desfecho, abrupto, pode parecer mais uma ruptura do que uma conclusão definitiva.
Por outro lado, o filme acerta ao refletir sobre o que narra. Ao abordar o fenômeno contemporâneo dos coaches e gurus do bem-estar, Gurú levanta uma questão essencial: até onde estamos dispostos a chegar para encontrar respostas simples para vidas complexas? O filme não condena frontalmente, mas observa, analisa e provoca inquietação. Lembra que a linha entre ajuda sincera e manipulação pode ser muito tênue, especialmente numa sociedade inundada por discursos motivacionais e promessas de transformação.
Thriller psicológico imperfeito, mas estimulante, Gurú deve muito à sua direção segura e à performance envolvente de Pierre Niney. Um filme que faz pensar tanto quanto incomoda, e que, apesar de algumas fragilidades na narrativa, consegue captar algo profundamente atual sobre a nossa necessidade coletiva de figuras a seguir.
Gourou
Filme | 2026
Estreia nos cinemas em 28 de janeiro de 2026
Thriller dramático | Duração: 2h06
Dirigido por Yann Gozlan | Com Pierre Niney, Marion Barbeau, Anthony Bajon
Nacionalidade: França
O filme apresenta uma narrativa contemporânea sobre os excessos da influência e a construção de um poder baseado na persuasão.
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