Dirigido por Valérie Donzelli e coescrito com Gilles Marchand, À pied d’œuvre é uma comédia dramática francesa protagonizada por Bastien Bouillon, André Marcon e Virginie Ledoyen. Baseado no romance autobiográfico de Franck Courtès, o filme narra a trajetória singular de um artista renomado que faz uma escolha radical: abandonar uma carreira consolidada para dedicar-se à escrita. Apresentado na Mostra de Cinema de Veneza 2025, onde conquistou dois prêmios pelo melhor roteiro, a produção chega às salas francesas em 4 de fevereiro de 2026.
O filme começa explorando uma temática frequentemente idealizada: o universo da criação artística. Um fotógrafo renomado decide abandonar a zona de conforto do seu trabalho para se aventurar na escrita, convencido de que a realização pessoal passa pelo mundo da literatura. Contudo, logo se depara com uma série de decepções, onde cada conquista — publicar, ser lido, ser reconhecido — se mostra cada vez mais difícil e incerta do que antes.
Com o passar dos anos, o sucesso artístico dá lugar a uma insegurança financeira profunda. O filme acompanha essa transição gradual para a pobreza, de forma realista, ao mostrar as consequências concretas dessa escolha na rotina, nas relações familiares e na autoimagem. Entre determinação e vulnerabilidade, o protagonista insiste na sua busca por um ideal, mesmo que isso o conduza a um isolamento cada vez maior.
Após Amor e Florestas, Valérie Donzelli continua a explorar trajetórias íntimas marcadas por escolhas existenciais profundas. O projeto baseia-se na experiência real de Franck Courtès, fotógrafo convertido em escritor, cujo romance serviu de inspiração para o roteiro. O filme foi rodado na França, com uma abordagem sóbria, valorizando cenários cotidianos e uma direção que privilegia os corpos e os silêncios. A premiação do roteiro na Mostra de Veneza 2025 evidencia a singularidade desta adaptação.
O tom oscila entre uma observação perspicaz e uma melancolia discreta, com uma atenção especial às contradições do mundo cultural. A direção minimalista acompanha uma narrativa introspectiva, voltada a um público sensível ao cinema autoral e às reflexões sobre o ato de criar. Por seu tema, À pied d’œuvre se insere numa tradição de filmes que questionam a vocação artística e seus custos, aproximando-se de retratos de escritores ou artistas que vivem uma ruptura.
À Pied de Guerra
Filme | 2026
Lançamento nos cinemas: 4 de fevereiro de 2026
Drama cômico | Duração: 1h 32min
Dirigido por Valérie Donzelli | Com Bastien Bouillon, André Marcon, Virginie Ledoyen
Nacionalidade: França
Ao retratar a trajetória de um homem que enfrenta a disparidade entre reconhecimento simbólico e realidade material, À pied d’œuvre oferece uma reflexão sóbria sobre o valor do trabalho artístico. O filme destaca a persistência do desejo de criar, mesmo diante de situações de vulnerabilidade, e insere-se numa filmografia atenta às fragilidades da contemporaneidade.
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