A emoção e a alegria de dividir o palco juntos eram visíveis nesta terça-feira à noite. Em 15 de setembro de 2026, a Sala Pleyel em Paris abriu as portas para três bandas inseparáveis da cena indie rock canadense: Metric, Broken Social Scene e Stars. Amigas na vida há vários anos, essas três formações canadenses tiveram a ótima ideia de se unir para uma turnê mundial conjunta, intitulada "All The Feelings Tour". A chance de rever os tempos de início dos anos 2000, quando esses três grupos ocupavam as manchetes. Estivemos lá, e vamos contar como foi esse show de trio em Paris!
Para aproveitar ao máximo essa noite inédita, não havia como chegar atrasado. Às 19h em ponto, Stars invadem o palco da Sala Pleyel. Torquil Campbell, vocalista principal e cofundador da banda ao lado do seu amigo Chris Seligman, parece em ótima forma e radiante por estar em Paris. Ao longo de mais ou menos 40 minutos de show, o artista que cresceu em Toronto nos revelou seu talento vocal, mesclando precisão absoluta com uma potência contida. Torquil Campbell acabará por ficar sem fôlego várias vezes nesta noite de terça.
Mas a força dos Stars reside, sobretudo, no duo de vozes formado por Torquil Campbell e Amy Millan, também guitarrista. Ao vivo, os dois artistas vão-se respondendo, criando uma bela dinâmica vocal. Rodeados por cinco, ou até seis outros músicos no palco, incluindo um trombonista e um saxofonista, Torquil Campbell e Amy Millan conseguiram nos levar de volta ao passado, apresentando vários antigos sucessos, entre eles o inevitável "Take Me to the Riot" ou ainda "Your Ex-Lover Is Dead".
Outro nome de destaque da cena indie-rock canadense, Broken Social Scene sobe ao palco da Salle Pleyel às 20h. Originária de Toronto, a banda foi formada em 1999 pela dupla Brendan Canning e Kevin Drew.
Verdadeiro coletivo, Broken Social Scene costuma convidar em seus álbuns vários artistas talentosos, como Jason Collett, Feist, Emily Haines do Metric ou Amy Millian do Stars. Mas essa regra também vale ao vivo. Nesta terça-feira, os integrantes do Stars não hesitaram em se juntar aos colegas do Broken Social Scene em diversos momentos do set, chegando a 14 no palco! Emily Haines também entrou na festa no final do show, na faixa cativante "Anthems for a Seventeen Year-Old Girl".
Em palco, contam-se três guitarras, um baixista, um baterista, uma tecladista, uma cantora, um cantor, um quinteto de metais... uma formação significativa que dá a impressão de que o show fica desorganizado em alguns momentos. Mas a boa disposição e a cumplicidade entre os canadenses não deixam dúvidas. Nesta terça-feira à noite, descobrimos um grupo de amigos, apaixonados por música, que se reúnem em turnê para partilhar momentos saborosos e viver plenamente a sua paixão juntos.
Impulsionados por uma alegria furiosamente contagiante, os canadenses do Broken Social Scene emendaram faixas por cerca de 1h, e conduziram o público ao passado com vários clássicos, como "Cause=Time" e "Sweetest Kill".
Depois de uma hora de apresentação do Broken Social Scene e de um intervalo de cerca de 35 minutos, Metric sobe ao palco da Salle Pleyel às 21h35 para fechar com chave de ouro essa bela noite dedicada à cena indie rock canadense. Se Metric, Broken Social Scene e Stars se conhecem e se apreciam há anos, o estilo musical de cada um não é tão próximo quanto se poderia supor. A Metric deixou isso claro na noite desta terça-feira.
Com esse duo liderado pela carismática Emily Haines e a sua voz cristalina, os sintetizadores analógicos e as sequências eletrônicas se misturam às guitarras afiadas. Verdadeira máquina electro-rock, a Metric fez o público da pista dançar por cerca de 1h20 de set, dando destaque aos seus temas mais recentes, como "Victim of Luck", escolhido para abrir o show, ou ainda "Tremolo" e "Loyal". Títulos mais pop do que no início da carreira e que, a nosso ver, ficaram devendo potência e profundidade.
Mas Metric tem mais de uma carta na manga e não esqueceu de interpretar, no final do set, velhos temas que soam definitivamente mais rock. A atmosfera, aliás, eleva-se a cada acorde quando começam a soar na Sala Pleyel "Gold Guns Girls", com Sam Goldberg Jr. na guitarra, "Gimme Sympathy", "Combat Baby" ou ainda "Help I'm Alive" e "Black Sheep" no encore. Não esqueceremos esse momento tão bonito de partilha entre Emily Haines e a amiga de longa data, Amy Millan, na faixa "Breathing Underwater". Um novo instante de partilha que testemunha a forte cumplicidade entre todos esses artistas canadenses.
Uma pequena decepção, no entanto, teríamos gostado de ouvir ao vivo nesta terça-feira à noite o hit "Dead Disco", extraído da trilha sonora do filme 'Clean' de Olivier Assayas, lançado em 2004.
Setlist da banda Metric
Lembrete :
Localização
Sala Pleyel
252 Rue du Faubourg Saint-Honoré
75008 Paris 8
Planeador de rotas
Informação sobre acessibilidade
Acesso
M°Ternes



























