Na luz, temporada 2: todo o programa desta edição artística na Fundação EDF

Por Cécile de Sortiraparis, Julie de Sortiraparis · Fotos de Cécile de Sortiraparis · Actualizado em 4 de novembro de 2026 às 9h52
A Fundação EDF apresenta a terceira e nova edição do seu evento Dans(e) la lumière, que combina exposição e performances de dança. Esta temporada 3 pode ser conferida de 4 de novembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027; aqui está o programa.

A Fundação EDF anuncia sua temporada cultural, para acontecer de 4 de novembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027. A instituição nos apresenta um formato um pouco diferente das exposições tradicionais, com uma nova edição de "Dans(e) la lumière", um encontro que une arte plástica e dança, em um percurso poético e repleto de surpresas. 

A exposição gratuita Keep Dancing ocupa cinco espaços em dois pisos. O artista plástico Tiler Gab e a bailarina e coreógrafa Nùria Guiu Sagarra exploram ali a dança na era do corpo digital, com módulos luminosos e uma criação musical de Thomas Vaquié. A instalação convida os visitantes a passear, dançar ou praticar ioga.

Além deste percurso entre as obras, os visitantes podem apreciar performances de diversos estilos de dança. Os dançarinos criam um diálogo inédito com o espaço e também se deixam guiar pela luz para expressar seu universo, sua arte. Os espetáculos de dança variam conforme o dia e o horário. É possível apreciar dançarinos solo, grupos, composições improvisadas ou trechos de espetáculos, danças clássicas ou modernas...

Encontramos nesta cena insólita artistas como Blanca Li, Maud Le Pladec, Noé Chapsal, Helena Olmedo, Mickaël Le Mer... Universos, épocas e estilos se encontram e se misturam na Fondation EDF, onde os artistas se veem unidos por essa luz criadora. Esta exposição promete, portanto, ser tão surpreendente quanto original!

Observação: os eventos e a exposição são gratuitos; os espetáculos são pagos. Abaixo está a programação detalhada das apresentações de Dans(e) la lumière, temporada 3 :

APRESENTAÇÕES

  • 18, 19 e 20 nov. de 2026, 19h30
    Lory Laurac – Companhia Les Rhizomes
    Tanbou ka pasé
    Tanbou ka pasé (tradução: “o tambor se transmite”) é uma pesquisa coreográfica desenvolvida por Lory Laurac, apoiada no Gwoka, patrimônio cultural imaterial da Guadeloupe. Nace da reunião entre Max Diakok, bailarino e figura da primeira geração que atuou na transmissão do Gwoka em Paris, e Lory Laurac, dançarina oriunda da cena hip-hop. Duas gerações, duas práticas corporais e duas trajetórias que se cruzam, se confrontam e constroem uma linguagem comum. O tambor torna-se então um símbolo de passagem, uma ponte entre gerações, práticas e imaginários.

  • 18, 19 e 20 nov. de 2026, 19h30
    Filipe Francisco Pereira Silva & Marie Lévénez - Companhia Métro Electro
    Habebo 
    Habebo nasce do encontro entre Filipe e Marie. Dessa união surgiu uma convicção: a de criar juntos, impulsionados pela sensação de que nossos corpos já compartilhavam uma linguagem comum. Parte de uma reflexão sobre o invisível, as emoções que carregamos e orienta pela aura. É um duo coreográfico que explora o encontro de duas almas para iniciar uma exploração em que o corpo assume um tom poético por meio do movimento. Compõe também um desejo de resistir à padronização da dança eletrônica, mantendo nuances pessoais, identidades fortes no palco, abrindo caminho para o nascimento de uma escrita comum. Esse projeto também abre espaço de diálogo com a dança contemporânea, como uma extensão da linguagem eletrônica, onde dois universos coexistem e se influenciam.

  • 24, 25 e 26 nov. de 2026, 19h30 
    Mounir Amhiln - Companhia Rodin
    Aqua
    Enraçada na relação com o solo, a peça destaca um vínculo profundo entre dois intérpretes cujos corpos parecem partilhar uma história comum inscrita no movimento. Entre apoio, confrontação e escuta mútua, Aqua dá corpo a uma fraternidade construída ao longo do tempo. Movidos pela dança e pela música ao vivo, os artistas desenvolvem uma linguagem de troca onde o relacionamento com o outro ocupa um lugar central.

  • 1º, 2 e 3 dez. de 2026, 19h30 
    Lilian Damango–Companhia TRIF
    O Canto das Possibilidades
    E se o mais importante não fosse a escolha, mas esse instante em que todas as possibilidades ainda coexistem? Aquele momento que interroga o ponto de virada onde passado, presente e futuro se encontram, e onde cada decisão abre um novo caminho. Na adversidade, assim como na ajuda, os indivíduos se constroem e evoluem conforme suas escolhas.

  • 15, 16 e 17 dez. de 2026, 19h30 
    Théotim Lestra Di Bernardo–Companhia Chimères
    SILÊNCIO 
    A busca pelo encanto perdido daquela estrela que iluminava nossos olhares antes de as certezas, hábitos e imposições do cotidiano apagarem. Alimentada por uma escrita coreográfica inspirada no Hip-Hop Freestyle, SILÊNCIO abre uma brecha poética onde os corpos, inicialmente condicionados a caber em caixinhas, recuperam o poder de criar. SILÊNCIO convida-nos a um universo onírico, a olhar de outra forma, a experimentar-se e a descobrir, juntos, o que ainda vive em nós.

  • 12, 13 e 14 jan. de 2027, 19h30 
    Olivia Pierre–Companhia OPS
    S K I N S 
    S K I N S é uma peça coreográfica enraizada na cultura Hip-Hop, nascida da vontade de explorar uma escrita mais densa, engajada e encarnada. Misturando escrita cênica e freestyle, a peça conta fragmentos íntimos de uma história de vida. Explora as camadas que criamos para existir: nossas defesas, nossos máscaras, o que escolhemos mostrar ou esconder. Através de uma corporeidade intensa e de momentos mais sensíveis, os intérpretes navegam entre controle e entrega, força e vulnerabilidade. A criação se inspira nos “skins” do universo dos videogames, onde a aparência define a identidade de um personagem. Essas envolturas que criamos nos protegem ou nos prendem?

  • 26, 27 e 28 jan. de 2027, 19h30 
    Julie Rilos & Leïla Miretti – Companhia Dosswé
    SSODADE 
    SSODADE nasce do encontro de dois corpos portadores de memórias. Nascidas nas Antilhas e no Oceano Índico, Leïla e Julie percorrem juntas o caminho que vai do ceticismo à emancipação, da limitação à celebração. Gestos fechados, mecânicos, que vão se abrindo aos poucos para a calor, a circularidade, o cypher. Na encruzilhada do hip-hop, da house dance e das gestuais afrodescendentes, a peça tece uma linguagem corporal onde os legados não se calam mais.

ESPECTÁCULOS

  • 4, 5 e 6 nov. 2026, 20h, 7 nov. 2026, 17h e 20h
    Blanca Li - L'Ombre
    No Théâtre Juliette Récamier
    Duração: 60 minutos
    L'Ombre investiga a relação complexa entre o ser humano e o seu duplo. Esta criação de Blanca Li em parceria com Edith Canat de Chizy mistura dança, música ao vivo e realidade mista, proporcionando uma experiência em que corpos reais e sombras virtuais se cruzam diante do público. O espetáculo bebe livremente do conto L'Ombre de Hans Christian Andersen. Um cientista dá vida à sua sombra, que ganha autonomia e consegue passar por um homem na sociedade. A sombra supera o seu mestre, volta para tentar dominá-lo e acaba por matá-lo quando ele tenta resistir. A partir desta fábula perturbadora, Blanca Li questiona nossa relação com o duplo, a identidade e a autonomia, num mundo em que a fronteira entre o real e o artificial se torna cada vez mais incerta. A música original de Edith Canat de Chizy, em parte executada ao vivo, e o design sonoro imersivo desenvolvido com o IRCAM contribuem plenamente para essa experiência sensorial.

  • 18, 19 e 20 nov. 2026, 19h30
    Maud Le Pladec - Veins of Water 
    Duração: 15 minutos
    Veins of Water é um trio para três mulheres, que imagina três figuras aquáticas, meio caminho entre sereias, ondas e almas perdidas — criaturas que emergem das profundezas para acompanhar alguém dividido entre flutuar e afundar. A peça explora o ato de abandonar, o mergulho nas profundezas como uma forma de renascimento. A água torna-se metáfora da batalha interior do ser humano, onde a beleza e a monstruosidade se entrelaçam. Os figurinos e as luzes prolongam essa tensão entre fluidez e densidade, entre doação e estranheza. Em Veins of Water, a dança e a música fundem-se como dois cursos, convidando-nos a navegar num espaço suspenso, frágil e hipnotizante.

  • 24, 25 e 26 nov. 2026, 19h30
    Compagnie les Corps Jetés–Noé Chapsal - Viscum
    Duração: 40 minutos
    Viscum é uma ensaio coreográfico e estético cortante, em que o envolvimento físico é total. Além da forma, a peça fala de intensidade, de tentativas belas e exaustivas de caminhar um em direção ao outro, de consentimento e da distância justa entre dois corpos. Um duo forte e orgânico, em que cada intérprete brilha na sua disciplina e desenvolve uma linguagem corporal totalmente híbrida entre os fulgor do breakdance e os ritmos precisos do jazz. Nesta coreografia fulgurante, acrobática e felina, os dois corpos vestidos de couro preto chocam-se e acompanham-se num espaço reduzido, atravessando as etapas atrapalhadas, violentas e tocantes do encontro com o outro. O espetáculo é recomendado a partir de 7 anos

  • 1º, 2 e 3 dez. 2026, 19h30
    EPSEDANSE Montpellier – Hofesh Shechter - tHE bAD
    Duração: 25 minutos
    Chevachée alucinada, tHE bAD coloca em cena uma tribo de intérpretes sobre uma partitura percussiva. No dourado dos trajes, salta uma gestualidade musculada sob influência urbana, com a tensão e a liberdade inerentes ao mundo noturno. Segundo o criador, trata-se da “tentativa de fazer uma peça sem pensar”, sem avaliar constantemente se está certo ou errado. Aqui, ele experimenta o movimento e a interação entre corpos como linguagem coreográfica completa, da energia mais louca ao desgaste que acompanha a rigidez de uma disciplina dominada. Este trecho de um tríptico intitulado «Les barbares» é a 4ª entrada no repertório de uma peça de Hofesh Shechter. O renomado choreógrafo, radicado em Londres, sabe imergir espectadores e bailarinos em atmosferas de fim de mundo com o jogo de luzes e ritmos alucinados. Estas atmosferas revelam tanto a escuridão de nossa sociedade atual quanto a certeza de que a humanidade tem meios de inventar algo melhor.

  • 15, 16 e 17 dez. 2026, 19h30
    Helena Olmedo - Fareras
    Duração: 45 minutos
    No coração de Fareras ergue-se um farol, símbolo de esperança e memória. Sua luz torna-se uma promessa frágil, um idioma compartilhado que conecta além das fronteiras. Quatro guardiãs do farol contam, com seus corpos e com a condução das luzes, a história dele — e tudo o que enfrentam para preservar, salvar e manter viva a luz do farol. Como numa mitologia própria, elas dão vida a um universo rico em imagens e movimentos. O farol permanece como âncora, testemunha da nossa história.

  • 12, 13 e 14 jan. 2027, 19h30
    Mickaël Le Mer –Compagnie S'Poart - Chiaroscuro
    Duração: 30 minutos
    Na escuridão nasce a luz. Na luz desenha-se a sombra. Chiaroscuro é uma técnica pictórica da Renascença (claro-escuro) que joga com acentuados contrastes entre zonas de sombra e claridade, para esculpir volumes, criar drama e revelar a profundidade dos corpos. Entre os pintores mais célebres que a utilizaram com maestria contam-se Caravaggio e Rembrandt. Inspirado nessa técnica, Chiaroscuro explora o diálogo intenso e íntimo entre sombra e luz através de um duo de dançarinos. Os corpos tornam-se matéria, alternando entre espectral, eficaz e revelada pela claridade e pela obscuridade. Entre confronto brutal e fusão sensual, atração e resistência, os intérpretes desenvolvem uma linguagem coreográfica em que cada gesto, cada toque e cada separação encarnam a complementaridade das forças opostas. A luz não se limita a iluminar: modela, fragiliza, magnifica. A sombra, longe de ser ausência simples, torna-se presença ativa, misteriosa e protetora. Esta experiência visual e sensorial questiona nossa dualidade humana — esse vai-e-vem constante entre vulnerabilidade e poder, entre o que mostramos e o que escondemos — e celebra a beleza dramática, frágil e soberana do corpo em movimento.

  • 26, 27 e 28 jan. 2027, 19h30
    Area Jeune Ballet Genève–Sadeck Berrabah - Murmuration Blue Edition
    Duração: 30 minutos
    Dance Area Genève e La Cité Bleue unem forças para uma criação que se inscreve no universo singular de Sadeck Berrabah, figura imprescindível da dança contemporânea. Com Murmuration, o coreógrafo impôs uma assinatura imediatamente reconhecível: uma escritura de precisão extrema, onde os corpos traçam linhas, desenrolam-se em figuras geométricas e fundem-se num movimento coletivo hipnótico, inspirado nas nuvens de aves em voo. Dez jovens dançarinos da Dance Area apropriando-se dessa linguagem exigente e visual, onde cada gesto conta e onde o indivíduo se inscreve numa arquitetura coletiva. A coreografia transforma-se num organismo vivo, em constante transformação, onde o grupo respira, vibra e evolui em uníssono. Nesta versão, a dança dialoga estreitamente com a música, não como simples acompanhamento, mas como força estruturante.

EVENTOS

  • 8 de novembro de 2026, 10h30-22h
    No Théâtre Juliette Récamier
    A dança no cinema
    Apresentação: Ramy Cine Clube
    Gratuito, mediante reserva
    A partir de uma seleção de quatro filmes cult, esta sessão propõe explorar as diversas representações da dança no cinema. Esses filmes exploram sobretudo a dança como espaço de liberdade, expressão de si e questionamento das normas de gênero. Ao final das exibições, haverá momentos de debate para retomar os filmes e ampliar a reflexão sobre a dança e as mensagens que ela carrega.

  • 14 de novembro de 2026, 17h-19h
    Mudar o olhar sobre a dança
    Gratuito. Entrada livre
    O projeto Mudar o Olhar busca desconstruir estereótipos de gênero na dança amadora. Patrocinado por Hugo Marchand, principal bailarino da Ópera Nacional de Paris, e apoiado pelo Ministério da Cultura, reúne 12 jovens bailarinos de toda a França. Cada um apresenta um solo original, revelando sua personalidade por meio de estéticas variadas: balé clássico, contemporâneo e jazz.
    O evento continua com uma criação coletiva interpretada por cerca de quinze bailarinos, nascida de uma residência artística. Construída em torno do olhar, da luz e da sombra, essa peça questiona a maneira pela qual a opinião dos outros influencia nossos gestos e nossa identidade. Esta sessão é um convite à reflexão e a questionar o seu relacionamento com a dança e as mensagens que sua prática pode veicular em nossa sociedade contemporânea.

  • Sábado 30 jan. 2027, 10h-22h
    Carte blanche à Mazelfreten
    Dans(e) na luz, o encerramento
    Gratuito, mediante reserva
    Para encerrar com chave de ouro a temporada Dans(e) na luz, a Fundação concede carta branca à companhia Mazelfreten! Um dia festivo e cheio de surpresas, em que hip-hop e electro ocupam a Fundação em todas as suas formas. Performances, encontros, iniciações e momentos inesperados vão marcar este dia concebido como uma verdadeira celebração da dança. Nesta ocasião, encontre também a 3ª edição do Battle Electro Hip-Hop! Venha descobrir, vibrar, dançar e maravilhar-se!

O evento Dans(e) la lumière volta assim para uma terceira edição e pode ser renovado no próximo ano. Cada edição coloca em destaque novos artistas, novos espetáculos. Deixe-se levar por essa programação fora do comum na Fundação EDF!

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Informação prática

Datas e horário de abertura
De 4 de novembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027

× Horários de abertura aproximados: para confirmar os horários de abertura, contactar o estabelecimento.

    Localização

    6, rue Récamier
    75007 Paris 7

    Planeador de rotas
    Informação sobre acessibilidade
    Acesso
    Estação "Sèvres-Babylone" da linha 10 ou 12 do metro

    Site oficial
    fondation.edf.com

    Mais informações
    Visitas guiadas gratuitas para o público em geral aos sábados e domingos Espectáculos de dança para o público em geral às quartas e quintas-feiras às 19 horas.

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