Exposição de Fred Atlan na galeria Rachel Hardouin: "au creux de mes paupières" ("no buraco das minhas pálpebras")

Por Laurent de Sortiraparis · Fotos de Laurent de Sortiraparis · Actualizado em 5 de junho de 2025 às 18h40 · Publicado em 4 de junho de 2025 às 12h27
A Galerie Rachel Hardouin acolhe, de 5 a 16 de junho de 2025, a exposição de Fred Atlan "Au creux de mes paupières" (No oco das minhas pálpebras), um mergulho imersivo na fotografia simbolista, no desenho onírico e nas tintas poéticas, inspirado no universo de Maeterlinck.

No coração do 10º arrondissement de Paris, a galeria Rachel Hardouin acolhe uma exposição que é mais uma experiência do que uma visita: Au creux de mes paupières, a primeira monografia do fotógrafo visual Fred Atlan, que decorre de quinta-feira 5 a segunda-feira 16 de junho de 2025. Este projeto introspetivo revela pela primeira vez um corpo de trabalho das sombras, fruto de mais de dez anos de pesquisa na intimidade do seu estúdio. Através de fotografias, desenhos e tintas, Fred Atlan propõe uma imersão num espaço intemporal inspirado no universo do dramaturgo simbolista Maurice Maeterlinck.

Aqui, o olhar é convidado a instalar-se de uma forma diferente. Esqueça a azáfama do exterior. Desde o início, a iluminação ténue, as sombras variáveis e as matérias-primas transformam a galeria num lugar de meditação poética, onde cada imagem se torna uma passagem para um mundo interior. Uma temporalidade flutuante instala-se, como uma respiração suspensa, uma respiração lenta que nos liga à nossa própria imaginação.

Uma arte do silêncio e do acidente

Fred Atlan não fotografa o que vê. Inventa um espaço entre o real e o simulacro. Na mesa da sua sala de estar, constrói instalações efémeras a partir de materiais modestos: pedaços de cartão, folhas amassadas, cordel, tecidos gastos. Sob o seu olhar, estes objectos do quotidiano tornam-se paisagens arcaicas, habitats frágeis que testemunham um mundo que foi apagado mas que permanece tenaz. O artista trabalha com a luz como uma matéria viva, transformando o banal em sagrado, o invisível em vestígio.

Esta obra segue os passos dos grandes nomes do simbolismo, do brutalismo e daArte Povera. Mas aqui não há citações ou posturas pesadas. Fred Atlan inspira-se no quotidiano, no silêncio, no jogo e nos acidentes. O seu gesto fotográfico é um ritual, quase místico, em que a imagem se torna um acontecimento por si só. Não se trata de um traço da realidade, mas de um acontecimento poético, uma obra que existe por si mesma, sem procurar demonstrar.

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Uma experiência sensível e envolvente

É fã de arte contemplativa, de uma pesquisa visual singular e de um misticismo discreto? Então esta exposição é para si. Quer esteja sozinho para uma pausa meditativa, em duo para um passeio inspirador ou com amigos em busca de novas experiências artísticas, Au creux de mes paupières oferece um momento suspenso, uma passagem entre duas realidades. A galeria torna-se um refúgio mental, um lugar onde se pode ouvir a si próprio e o mundo nas suas dobras mais secretas.

Através das suas imagens, Fred Atlan questiona a matéria, a luz e a sombra e a sua capacidade de transformar o significado. Um canto de uma mesa torna-se território. Uma peça esquecida torna-se a promessa do infinito. O visitante fica perplexo, inquieto e depois profundamente comovido. Nada é fixo, tudo está em tensão, em construção.

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Uma estética da alma e do momento

O que vai ver aqui não é uma simples exposição de fotografias. É uma viagem ao íntimo, um encontro entre o carnal e o espiritual, entre a matéria danificada e a ideia de ressurreição. O olhar de Fred Atlan é benevolente, quase terno, em relação ao que a sociedade rejeita. Cria visões autónomas em que o objeto fotografado perde o seu referente e se transforma num enigma visual.

Tal como Junichirō Tanizaki em Éloge de l'ombre, Atlan celebra a penumbra, os tons suaves e as texturas esquecidas. O seu trabalho torna-se uma ode à beleza escondida, à pátina do tempo, à luz interior das coisas. Cada imagem é uma armadilha suave para o olho, um parque de diversões para a mente. Nada é para ser compreendido, tudo é para ser sentido.

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Não perca este raro convite a viver a arte como uma viagem poética. Au creux de mes paupières é muito mais do que uma exposição: é uma experiência sensível, um momento de abandono a uma estética subtil e inconformista, a ser vivida na preciosa calma da galeria Rachel Hardouin. E não se esqueça que, para a Nuit Blanche 2025, a galeria estará aberta até às 23 horas. Só tem de aparecer!

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Informação prática

Datas e horário de abertura
De 5 de junho de 2025 a 14 de junho de 2025

× Horários de abertura aproximados: para confirmar os horários de abertura, contactar o estabelecimento.

    Localização

    15 Rue Martel
    75010 Paris 10

    Planeador de rotas

    Acesso
    Estação "Château d'Eau" da linha 4 do metro

    Tarifas
    Grátis

    Site oficial
    15martel.com

    Mais informações
    Aberto de terça a sábado, das 14 às 19 horas.

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