No coração de Nemours, na Seine-et-Marne, repousa uma prefeitura cuja arquitetura desperta curiosidade: esse edifício histórico, atualmente sede administrativa da cidade, teve suas origens como um hospício do século XVII, criado para acolher e cuidar dos mais necessitados.
A história começa na década de 1640, quando a Congregação de Nossa Senhora, uma ordem religiosa de mulheres dedicadas ao ensino, funda um convento às margens do Loing, voltado à educação e à vida comunitária. A partir de 1791, em meio às transformações da Revolução Francesa, esse edifício religioso é reatribuído ao trabalho de caridade: o Hôtel-Dieu — hospital e albergue — é transferido para acolher os pobres, doentes e idosos da região. Assim, o local passa a ser um centro de atenção à saúde e solidariedade por quase duas centenas de anos.
O edifício que admiramos hoje não é apenas antigo: foi projetado no século XVII pelo arquiteto real Jules Hardouin-Mansart, uma das figuras mais influentes da arquitetura clássica francesa, conhecido especialmente por suas obras em Versalhes. O resultado é uma construção em pedra e tijolo, de uma elegância discreta mas marcante, típica do período clássico, combinando linhas simétricas e um charme de época.
Após o encerramento do hospital em 1977, o imenso edifício permaneceu por muitos anos vazio e sem uso. Foi apenas em 1985 que a prefeitura de Nemours decidiu comprá-lo e transformá-lo na nova administração municipal. Os antigos espaços religiosos e hospitalares foram adaptados para atender às necessidades do município:
a capela transformou-se em sala de casamento, onde atualmente acontecem cerimônias oficiais em um local repleto de história;
outros cômodos foram adaptados para abrigar as instalações da prefeitura ou de serviços públicos.
Desde 1926, o edifício está protegido como monumento histórico, reconhecendo sua importância patrimonial e arquitetônica para a França. Esse status garante a preservação de elementos antigos, como a escadaria interna com corrimãos de madeira e algumas fachadas de linhas clássicas do século XVII, que revelam um passado cheio de história e complexidade.
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