Em Paris, existem jardins quase secretos que, no entanto, escondem grandes histórias. É o caso deste oásis verde de passado macabro. Escondido atrás das fachadas serenas do 8e arrondissements, o square Louis XVI, adjacente à Chapelle expiatoire, ocupa o local do antigo cemitério de La Madeleine, que, durante a Revolução, se tornou um espaço de sepultamento para os suplícios da guilhotina. Por trás de sua aparência de pequeno refúgio discreto, este jardim histórico de Paris esconde, portanto, um antigo terreno funerário, ligado a Louis XVI, a Maria Antonieta e a várias centenas de vítimas da Terreur.
À origem, o cemitério de la Madeleine abriu no século XVIII para atender às necessidades de um bairro em plena expansão. Mas durante la Révolution, a sua proximidade com a atual Praça da Concórdia, então chamada Place de la Révolution, onde ficava a guilhotina, o que o tornava um local de sepultamento particularmente prático para os corpos dos condenados.
Cerca de 500 guilhotinados ali foram sepultados. Entre eles figuram nomes célebres como Olympe de Gouges, Charlotte Corday, Madame du Barry ou ainda vários deputados girondinos. O rei Louis XVI, guilhotinado em 21 de janeiro de 1793, está enterrado ali numa fossa individual. Marie-Antoinette, executada em 16 de outubro de 1793, também foi sepultada ali. Ambos teriam sido cobertos de cal.
Após a Revolução e o Império, Luís XVIII, o irmão de Luís XVI, decide marcar o lugar com um monumento memorial. Em 1815, os restos atribuídos a Luís XVI e a Maria Antonieta são transferidos para a Basílica de Saint-Denis, e uma capela é erguida no sítio do seu antigo sepulcro. As obras, confiadas a Pierre Fontaine, começam em 1816 e terminam em 1826. O monumento é concebido em estilo neoclássico e hoje abriga exposições abertas ao público.
O quadrado Louis XVI tal como é conhecido hoje foi criado mais tarde, no século XIX, quando as transformações haussmanianas redesenham o bairro. Suas florações brancas evocam a realeza e a memória de Luís XVI e Maria Antonieta. Mas o que aconteceu com a fossa comum?
Se os restos presumidos de Luís XVI e Maria Antonieta foram transferidos para a necrópole real dos reis e rainhas de França, em Saint-Denis, uma crença popular sugere que os corpos ali presentes teriam sido transferidos para as Catacumbas de Paris, como ocorreu com outros cemitérios intra-muros de Paris.
Na prática, Luís XVIII teria pedido expressamente que nenhuma terra “saturada de vítimas” fosse removida do local. Os ossos do antigo cemitério teriam sido preservados em ossários. Ou seja, mesmo após a transferência dos soberanos, o local permaneceu uma necrópole da Revolução.
A confusão viria de uma placa das Catacumbas que mencionava outro antigo cemitério de La Madeleine, situado na rua de Laville-Lévêque, enquanto o cemitério em que foi erigida a Capela Expiatória ficava na rua d’Anjou. Sondagens arqueológicas realizadas em 2018 chegaram mesmo a confirmar a presença de ossos por trás das paredes da capela baixa.
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