Por que a estação Liège, na linha 13, mudou de nome após a guerra?

Por Graziella de Sortiraparis · Actualizado em 22 de abril de 2026 às 22h41
A estação Liège não se parece com nenhuma outra. Entre plataformas assimétricas e murais que celebram a Bélgica, esta paragem na linha 13 oculta uma história conturbada, símbolo de uma resistência heroica, atuando em regime de meio período durante anos.

Se você pegar a linha 13, você certamente notará esta estação de charme singular. Com seus frescos em cerâmica e plataformas que ficam de costas uma para a outra, a estação Liège é uma pequena curiosidade histórica e arquitetônica. Mas você sabia que antigamente ela se chamava "Berlim"?

Uma estação inimiga que se tornou heróica

Aberta em 1911, a estação originalmente recebeu o nome de Berlim, em homenagem à capital alemã (bairro da Europa, como era de esperar). Mas quando a Primeira Guerra Mundial estourou em 1914, carregar o nome do inimigo tornou-se impensável. No dia 2 de agosto, a estação fechou as portas. Em sua reabertura, poucos meses depois, foi renomeada Liège, para celebrar a resistência heroica da cidade belga frente à invasão alemã. Uma mudança de nome que não passou despercebida na época!

Por que os cais viraram as costas?

Essa é a característica mais marcante ao descer: as duas plataformas não ficam frente a frente. Se você espera pelo metrô indo para o sul, não verá quem espera para o norte. A razão é puramente técnica: a rua d'Amsterdam, sob a qual fica a estação, era demais estreita para construir duas plataformas frente a frente segundo o esquema clássico. Os engenheiros do "Nord-Sud" (a antiga operadora) tiveram de desejar as duas metades da estação? Não, não: desejar está errado aqui. O correto é: tiveram de deslocar as duas metades da estação. É uma das duas únicas estações de Paris a funcionar assim, com Commerce na linha 8.

A viagem imóvel: 18 frescos em azulejos

O verdadeiro tesouro da estação são as suas 18 frescos em cerâmica de Welkenraedt. Instalados em 1982, durante uma troca cultural entre a França e a Bélgica, eles retratam as paisagens e monumentos da província de Liège: o castelo de Jehay, o Perron, ou ainda o circuito de Spa-Francorchamps. Os frescos são em bi-cromia azul no cais voltado para o Sul e em cores no cais voltado para o Norte. É preciso viajar nos dois sentidos para apreciar toda a paleta!

Você sabia? A estação "tempo parcial"

Durante muito tempo, Liège foi a estação mais "preguiçosa" de Paris. Do fim da Segunda Guerra Mundial até 2006, ela fechava todas as noites após as 20h, bem como aos domingos e feriados, por questões de economia! Foi necessária uma petição dos moradores e uma grande mobilização para que, enfim, adotasse os horários normais da RATP. 

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