Seguindo os passos de Johnny Hallyday em Paris: os lugares a descobrir

Por Rizhlaine de Sortiraparis · Fotos de Caroline de Sortiraparis · Actualizado em 20 de julho de 2026 às 13h51
Desde os primórdios do jovem Jean-Philippe Smet até as homenagens que lhe são prestadas hoje, Paris está repleta de locais cheios de lembranças ligadas a Johnny Hallyday. Vamos acompanhar os passos da rockstar que foi o ídolo de toda uma geração!

Em Paris, Johnny Hallyday nunca fica realmente tão longe assim. Basta olhar para uma placa, entrar numa casa de shows para ver ressurgir um pedaço da sua vida. Antes dos estádios lotados, das motos, das guitarras e dos pirotécnicos concertos, havia, porém, um jovem chamado Jean-Philippe Smet. A sua história parisiense começa numa rua discreta do 9º arrondissement e continua nos templos do rock, nos grandes estúdios de gravação e nas salas mais impressionantes da capital. Um passeio ideal para seguir, passo a passo, o nascimento de uma lenda.

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Rua da Tour-des-Dames: os primeiros anos de Jean-Philippe Smet

Antes de Johnny, havia, então, Jean-Philippe. O futuro cantor passou parte da infância na 13, rue de la Tour-des-Dames, no 9º arrondissement, junto da sua tia Hélène Mar e das primas Desta e Menen. Neste universo povoado de artistas, dançarinos e espetáculos, o jovem cedo descobre o gosto pela cena. Ele também fica marcado por Lee Halliday, companheiro de Desta, uma artista norte-americana que alimenta seu imaginário. Seu nome de palco, aliás, inspirar-se-á nesse patronímico, ao qual mais tarde um erro de grafia acrescentará um segundo “y”. Hoje, uma placa commemorativa recorda a presença do cantor nesta rua elegante e tranquila.

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Polymagou

Le Golf-Drouot: quando Paris descobre o rock'n'roll

Seguimos então pela rua Drouot, a poucos minutos a pé. É ali que ficava o mítico Golf-Drouot, muitas vezes apelidado de templo do rock francês. Originalmente, o local abrigava um minigolfe instalado acima de uma cafeteria. Mas, no final dos anos 1950, os tacos de golfe vão abrindo espaço aos discos norte-americanos, às guitarras elétricas e aos jovens que sonham em parecer com Elvis Presley.

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Sweetblues

Johnny frequenta ali toda uma geração de futuros artistas. Eddy Mitchell, Dick Rivers e muitos grupos iniciantes passaram também por essa casa que se tornou lendária. Vêm-se ouvir ali canções ainda pouco comuns na França, participar de concursos e dançar rock. O Golf-Drouot não existe mais hoje, mas uma placa marca o seu antigo local, no nº 2, rue Drouot.

O Olympia: Johnny entra na elite

A poucos quarteirões dali, a viagem continua no Olympia. Para Johnny Hallyday, esse espaço representa muito mais do que uma simples escala: acompanha quase toda a sua carreira. Ele se apresenta ali desde o início dos anos 1960 e retorna com regularidade. O Olympia torna-se um dos palcos onde o fenómeno Johnny ganha de fato toda a sua dimensão.

No entanto, o espaço continua relativamente intimista comparado aos estádios que ele viria a lotar mais tarde. A Olympia marca, assim, uma guinada. O rapaz da rue de la Tour-des-Dames deixa de ser apenas o ídolo dos jovens. Ele passa a fixar-se de forma duradoura entre as grandes figuras da canção francesa.

O Estúdio Davout: Johnny à frente do microfone

Vamos deixar os holofotes de lado e seguir para o 20º arrondissement, junto ao estúdio Davout, outro marco mítico da música parisiense. Durante várias décadas, esse estúdio recebeu inúmeros artistas franceses e internacionais. Sua grande sala e a acústica marcante permitem gravar tanto orquestras quanto álbuns de música popular ou de rock.

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Artvill

Johnny Hallyday também trabalhou lá ao longo de sua carreira. Conta-se frequentemente que ele possuía uma energia quase instinctiva ao gravar. O estúdio Davout fechou as portas em abril de 2017, poucos meses antes do falecimento da famosa estrela do rock.

Bercy: o palco espetacular de Johnny

Quando chega a Bercy, Johnny eleva o patamar. O Palácio dos Esportes torna-se uma de suas salas favoritas e o cenário de uma infinidade de shows. Aqui, não há espaço para se contentar com um simple mic no meio do palco. Johnny gosta de entradas espetaculares, motos, passarelas, chamas, telas gigantes e cenários capazes de transformar uma casa de shows numa verdadeira tela de cinema. Ao longo das turnês, seus espetáculos ficam cada vez mais ambiciosos. Os técnicos precisam, às vezes, realizar verdadeiras proezas para dar vida às suas ideias.

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Parque dos Príncipes: a entrada triunfal na era dos estádios

Em 1993, Johnny Hallyday celebrou seus cinquenta anos no Parc des Princes. Para a ocasião, ele não fez as coisas pela metade. Sua entrada ficou famosa: o cantor atravessa a multidão para chegar ao palco. O show rapidamente tornou-se um dos momentos mais marcantes de sua carreira. O espetáculo é grandioso, mas também se fundamenta em uma ideia simples: Johnny celebra seu aniversário cercado pelo público.

La PSG Expérience au Parc des PrincesLa PSG Expérience au Parc des PrincesLa PSG Expérience au Parc des PrincesLa PSG Expérience au Parc des Princes

Estádio de França: sempre mais alto, sempre maior

Depois do Parc des Princes, Johnny mira ainda mais alto. Em 1998, ele invade o Stade de France, inaugurado poucos meses antes. Os concertos, no entanto, teriam de lidar com um tempo particularmente imprevisível. Algumas datas foram adiadas por causa das fortes chuvas, mas Johnny acabou subindo ao palco para oferecer um espetáculo monumental.

Sua chegada de helicóptero continua sendo uma das imagens mais fortes desses shows. Pendurado acima do palco, ele surge no ar antes de se aproximar do público. Johnny voltará ao Stade de France, sobretudo em 2009, durante a turnê anunciada como a despedida dos palcos. Uma promessa que ele terá muita dificuldade em cumprir: quando se ama tanto os shows, aposentar de vez o microfone não é tão simples.

Dos Champs-Élysées à La Madeleine: a comovente homenagem de 2017

Em 9 de dezembro de 2017, Paris mostrou outra face. Poucos dias após o falecimento de Johnny Hallyday, uma multidão imensa se reuniu para lhe prestar a última homenagem. O cortejo fúnebre desce os Champs-Élysées, acompanhado por centenas de motards. Ao longo do percurso, os admiradores aplaudem, cantam e erguem retratos. Alguns vieram de muito longe para se despedir daquele cujas canções marcaram a sua juventude, os seus amores ou as suas viagens de carro.

L'église de la Madeleine, de nouveau en travaux en 2026L'église de la Madeleine, de nouveau en travaux en 2026L'église de la Madeleine, de nouveau en travaux en 2026L'église de la Madeleine, de nouveau en travaux en 2026

A cerimônia segue na igreja da Madeleine, com a presença da sua família, de amigos, de diversas personalidades e de representantes do Estado. Nesse dia, a capital não presta homenagem apenas a um cantor. Ela saúda um artista que ficou gravado na memória coletiva.

A Esplanada Johnny Hallyday: uma guitarra e uma moto como símbolo

Desde 2021, a Esplanada de Paris-Bercy leva o nome de Esplanade Johnny-Hallyday. A escolha do local parece óbvia: Bercy ocupou uma posição central na carreira do cantor. A esplanada abriga também uma obra de Bertrand Lavier batizada « Quelque chose de… », uma alusão à famosa canção Quelque chose de Tennessee.

Journée d'hommages à Johnny Hallyday ce mardi: esplanade, statue, concert... le programme à ParisJournée d'hommages à Johnny Hallyday ce mardi: esplanade, statue, concert... le programme à ParisJournée d'hommages à Johnny Hallyday ce mardi: esplanade, statue, concert... le programme à ParisJournée d'hommages à Johnny Hallyday ce mardi: esplanade, statue, concert... le programme à Paris

Ao contrário do que alguns visitantes imaginam, não se trata de uma estátua que retrata o Johnny. A obra é formada por um enorme pescoço de guitarra, no topo do qual está uma Harley‑Davidson que pertenceu ao cantor. Durante a instalação, a obra suscitou reações díspares. Alguns fãs teriam preferido uma representação mais clássica de seu ídolo. Outros entenderam e apreciaram essa escolha simbólica que reúne dois elementos inseparáveis de sua imagem: o rock e a moto.

Hoje, fãs costumam passar por ali para prestar homenagem, deixar flores ou tirar uma foto. O percurso pode, portanto, terminar aqui, diante desta guitarra inusitada apontada para o céu.

Da tranquila rua da Tour-des-Dames às imensas cenas do Stade de France, Paris conta toda a evolução de Johnny Hallyday. A trajetória de uma criança rodeada por artistas, que se tornou uma estrela do rock, depois uma figura popular celebrada muito além da música. Um passeio carregado de memórias, com ao fundo alguns acordes de guitarra.

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