Le Mystère Henri Pick é uma comédia dramática francesa dirigida por Rémi Bezançon, baseada no romance de David Foenkinos. Lançado nos cinemas na França em 6 de março de 2019, o filme conta com a atuação de Fabrice Luchini, Camille Cottin e Alice Isaaz, em uma trama literária que mistura investigação, sátira ao mundo das letras e bom humor.
Tudo começa em uma biblioteca na Bretanha dedicada a manuscritos rejeitados pelas editoras. Uma jovem editora encontra ali um texto extraordinário, As últimas horas de um amor, atribuído a Henri Pick, um pizzaiolo que faleceu há dois anos. O romance explode em popularidade, mas a revelação desperta logo desconfianças, especialmente porque a viúva do falecido garante que seu marido não escrevia nada além de suas listas de compras.
Diante desse mistério, o crítico literário Jean-Michel Rouche embarca numa investigação ao lado da filha de Henri Pick. O filme acompanha então um duo inesperado, dividido entre ceticismo, curiosidade e fascínio por esse enigma editorial. Sem revelar suas principais engrenagens, a narrativa explora a linha tênue entre verdade e ficção, enquanto critica com ironia os mecanismos que envolvem a fama na literatura.
O Mistério Henri Pick é uma adaptação do romance de David Foenkinos, publicado em 2016. Com Vanessa Portal, Rémi Bezançon decidiu deslocar o centro do enredo para o personagem do crítico Jean-Michel Rouche, ao passo que o livro apresentava uma estrutura mais coral. Essa escolha permite que o filme se configure como uma investigação mais clara na tela, sem perder de vista os temas centrais do livro: a construção do sucesso, a circulação das histórias e a incerteza que envolve toda obra.
As filmagens aconteceram principalmente na Bretanha, um cenário perfeito para essa história, onde a província se torna o ponto de partida de um caso literário nacional. Fabrice Luchini, considerado desde o início para interpretar Rouche, confere ao personagem seu toque característico de sarcasmo e erudição, enquanto Camille Cottin traz uma presença mais direta e pragmática. O filme também insinua, de forma sutil, uma tradição de investigação baseada no MacGuffin, com um manuscrito que funciona tanto como motor narrativo quanto como símbolo dos vínculos ambíguos entre ficção e realidade.
Com seu estilo, o longa-metragem é voltado aos fãs de narrativas literárias, de comedias francesas de personalidade e de histórias em que o mistério está mais na observação dos comportamentos do que na ação. Pode lembrar, por sua astúcia e predileção pelos enganos, algumas adaptações francesas em que o destaque fica nos diálogos e nos personagens, mais do que no espetáculo.
Nos comentários sobre O Mistério Henri Pick :
O Mistério Henri Pick não é uma adaptação fácil para o cinema. Na obra original de David Foenkinos, a trama se apoia bastante na introspecção, nos silêncios e nas mudanças de perspectiva. Era essencial transformar esse material literário em uma narrativa encarnada, que desse vida aos personagens na tela. E, nesse aspecto, o filme de Rémi Bezançon consegue passar pelo desafio, ao dar mais espaço para os diálogos e para a dinâmica entre os protagonistas.
Vários personagens do romance foram eliminados ou fundidos nesta versão para focar a narrativa no crítico literário Jean-Michel Rouche, interpretado por Fabrice Luchini. Essa escolha do roteiro simplifica a estrutura coral do livro, transformando a história numa verdadeira investigação, impulsionada pela curiosidade cética desse personagem erudito, que também é bastante ácido.
A relação entre Rouche e a filha de Henri Pick, vivida por Camille Cottin, é um dos combinados que movimentam o filme. Destaca-se especialmente a transformação de uma personagem secundária do livro — uma vendedora de lingerie caricata — para uma professora culta, apaixonada por literatura. Essa mudança adiciona camadas de nuance, permitindo que Camille Cottin traga uma presença ao mesmo tempo sensível e determinada, diante do verbal exuberante de Luchini.
Sem apelar por espetáculo, o filme aposta em uma direção discreta e na atração pelo mistério: quem é realmente o autor do romance As últimas horas de uma história de amor? Rémi Bezançon constrói aos poucos uma atmosfera de curiosidade e dúvida que incentiva o espectador a acompanhar a investigação até o fim. Assim, somos conduzidos com prazer por esse jogo literário, onde a grande questão continua no ar: Henri Pick é realmente o autor do manuscrito que virou sucesso de venda?
O Mistério Henri Pick
Filme | 2019
Lançamento nos cinemas: 6 de março de 2019
Comédia dramática | Duração: 1h41
Dirigido por Rémi Bezançon | Com Fabrice Luchini, Camille Cottin, Alice Isaaz
Título original: Le Mystère Henri Pick
Nacionalidade: França
Com O Mistério Henri Pick, Rémi Bezançon apresenta uma ficção inteligente e acessível, que explora o fluxo das narrativas, o poder da interpretação e como um texto pode mudar vidas. Entre uma crônica do mundo editorial, uma comédia de personagens e uma investigação descontraída, o filme destaca-se principalmente pelo seu elenco principal e pelo prazer de acompanhar uma trama literária que questiona a própria essência do papel do autor.
Na mesma linha, podemos pensar em A Daronne, que combina o humor francês e uma trama envolvente protagonizada por um personagem forte, ou então em A Delicadeza, outra adaptação baseada no universo de David Foenkinos, onde sentimentos e trajetórias pessoais se desenrolam com uma mistura de doçura, amargor e uma pegada bastante literária.
Para se aprofundar ainda mais, confira também a nossa seleção de filmes, séries e programas que estreiam na TV esta semana, o nosso guia de novidades em todas as plataformas e a escolha do dia O que assistir hoje em streaming.
Esta página pode conter elementos assistidos por IA, mais informações aqui.
Site oficial
www.gaumont.fr















