Na França, a arte do trompe-l'œil é reconhecida como uma forma de obra que brinca com as nossas percepções e sentidos. Essas criações manipulam a realidade e os espectadores gostam de distinguir o que é verdadeiro do que é falso nessas pinturas, nessas fotografias, nessas esculturas... Em outras culturas, o trompe-l'œil pode ter um interesse bem diferente.
Na Coreia do Sul, no reino de Joseon, a trompe-l'œil era uma arte bem peculiar, com seus códigos e significados. O museu Guimet nos convida a descobrir esse movimento artístico, com a exposição O saber em trompe-l’œil, apresentada de 16 de setembro de 2026 a 4 de janeiro de 2027.
Esta exposição percorre dois séculos de criação artística na Coreia, dois séculos de cultura e intercâmbio. A trompe-l'œil nasce como uma arte propícia ao desenvolvimento do espírito e da virtude. O rei Jeongjo pediu aos pintores da Academia Real que criassem pinturas de bibliothèques en trompe-l’œil, para que estivesse rodeado(a) pelos livros e pelo saber. Normalmente, o soberano posaria diante de uma pintura que representa o reino e o poder do rei. Jeongjo rompeu com a tradição ao mandar realizar uma trompe-l'œil de biblioteca, símbolo de sua virtude, de sua erudição e da riqueza de sua educação.
Graças aos vínculos culturais e políticos que o reino de Joseon mantinha com a China, artistas russos? Não, coreanos puderam se inspirar em vários movimentos artísticos para desenvolver sua própria maneira de criar trompe-l'œil. Perspectivas, cores e iluminação, temas preferidos: o trompe-l'œil coreano encontrou rapidamente seu espaço e, aos poucos, estabeleceu-se nos palácios, nas casas da aristocracia e, por fim, nos lares provinciais.
Graças a essas obras, é possível ver as relações e as influências que ligam a Coreia à China, ao Japão e até ao Ocidente. As técnicas artísticas, os objetos, os materiais usados e os elementos pintados pelos artistas mostram bem o cruzamento de culturas. Essas bibliotecas em trompe-l'œil evoluem pouco a pouco: no início predominam os livros, depois aparecem objetos científicos ou exóticos, objetos de arte como vasos... Esses elementos cenográficos revelam a abertura gradual do país, a globalização dos intercâmbios, as novas tendências, os laços entre culturas.
Assim, ao longo das épocas, essas ilusões vão evoluindo. No século XVIII, as trompe-l'œil apresentam coisas que gostaríamos de possuir um dia, elementos que valorizam o patrimônio cultural e material da pessoa. Depois, as obras mudam, abrindo espaço para universos mais surrealistas e oníricos. O livro transforma-se em objeto decorativo mais do que símbolo de cultura e saber; as mensagens associadas a essas trompe-l'œil tornam-se mais artísticas. Essas obras deixam de ser marcadores de riqueza ou de saber.
A exposição do Museu Guimet abre um universo cultural e artístico interessante, muitas vezes pouco conhecido na França. É uma porta de entrada acessível a todos à cultura coreana, reunindo obras bem preservadas e fascinantes de contemplar. As trompe-l'œil aqui não brincam necessariamente com os nossos sentidos; não se trata de ilusões. Estas obras têm, sobretudo, um interesse histórico. Algumas são mais acessíveis do que outras: reserve um tempo para ler os textos que as acompanham para entender o seu significado e importância.
Pinturas, biombos, objetos de decoração ou do quotidiano: o museu Guimet apresenta uma seleção de obras diversas, que brincam com os nossos sentidos, numa trajetória que valoriza a arte coreana dos séculos XVIII a XX.
Este teste foi realizado no âmbito de um convite profissional. Se a sua experiência for diferente da nossa, por favor informe-nos.
Datas e horário de abertura
De 16 de setembro de 2026 a 4 de janeiro de 2027
Localização
Museu Nacional de Arte Asiática Guimet
6, place d´ Iéna - 19, avenue d´ Iéna
75116 Paris 16
Planeador de rotas
Informação sobre acessibilidade
Acesso
Estação "Iéna" da linha 9 do metro
Tarifas
Moins de 26 ans : Grátis
Tarif réduit : €12
Plein tarif : €15
Site oficial
www.guimet.fr



























