À Paris, a galerie La Lison apresenta KABRALA, uma exposição dedicada à fotógrafa Ai Huang, de quinta-feira 3 de setembro até sábado 10 de outubro de 2026. Através de uma série de autorretratos em prata trabalhados na câmara escura, a artista, radicada em Tóquio, questiona o corpo, a matéria fotográfica e a construção da identidade. Esta primeira exposição individual na França é apresentada no 5 rue Pierre Chausson, no 10º arrondissement de Paris.
KABRALA reúne autorretratos que não pretendem reproduzir fielmente as feições da artista. Ai Huang utiliza o próprio corpo como matéria a ser transformada pelo contato com substâncias químicas. As silhuetas vão aparecendo, deformando-se ou dissolvendo-se ao longo das tiragens.
O revelador, o fixador, o papel e o tempo de exposição participam ativamente da criação. Ai Huang manipula os banhos químicos, deixando espaço para reações imprevistas. Cada fotografia guarda, assim, o rastro de um gesto, de uma pressão ou do tempo dedicado ao laboratório.
O percurso exibe tiragens em prata onde o corpo se torna difícil de identificar com precisão. As formas fragmentam-se, os rostos perdem a estabilidade e os contornos evoluem graças aos processos químicos. A identidade surge, então, como algo móvel, em vez de uma representação fixa.
A exposição também reúne imagens mais recentes, captadas com uma câmera fotográfica analógica recarregável. Essas imagens ampliam as pesquisas de KABRALA em uma direção diferente. Segundo o artista, elas mantêm um diálogo com a série e se baseiam na mesma expressão corporal.
O título KABRALA nasce de uma linguagem que Ai Huang começou a inventar para comunicar com o seu papagaio. O termo não tem definição estabelecida. Remete a uma forma de expressão íntima, situada à margem da linguagem convencional e mais ligada às sensações, às linhas e aos movimentos dos líquidos.
Ai Huang vive e trabalha principalmente em Tóquio, onde descobre a câmara escura em 2021, aos 20 anos. Depois de deixar os estudos de cinema na Filadélfia, ela passa a frequentar vários fotógrafos da cena tokiense e começa a experimentar processos fotográficos em prata.
O encontro com o fotógrafo Masato Seto desempenha um papel central em sua trajetória. Ele abre portas: espaço de trabalho, materiais e saber técnico. Para a série KABRALA, Ai Huang também utiliza papéis e negativos de fotógrafos japoneses como Masahisa Fukase, Eikoh Hosoe, Issei Suda, Daido Moriyama e Hiroh Kikai.
Seu trabalho foi apresentado em várias exposições individuais e coletivas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos. Em 2023, ela apresentou, em especial, seu processo criativo no Kiyosato Museum of Photographic Arts, no Japão. Essa apresentação assumiu a forma de uma performance na qual o público pôde observar a ação do corpo da artista e dos produtos químicos sobre a imagem.
A galeria La Lison desenvolve uma programação dedicada aos artistas contemporâneos que trabalham com fotografia, desenho, pintura, escultura e arte digital. Instalado no estúdio de tatuagem La Bête Humaine, o espaço aproxima, sobretudo, a arte contemporânea, a tatuagem e as culturas alternativas.
Uma inauguração de exposição está marcada para quinta-feira, 3 de setembro de 2026, a partir das 19h30. Esta primeira apresentação monográfica de Ai Huang na França abre portas para uma prática em que a câmara escura se torna tanto um local de produção quanto um espaço de experimentação artística.
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Datas e horário de abertura
De 3 de setembro de 2026 a 10 de outubro de 2026
Localização
Galeria La Lison
5 Rue Pierre Chausson
75010 Paris 10
Planeador de rotas
Acesso
Estação "Château d'eau" da linha 4 do metro
Tarifas
Grátis
Site oficial
www.galerie-la-lison.com















