Há quem pense que ela não existe. Não acredite na palavra desses sujeitos sombrios que já não têm nem vestígios de fantasia: a licorne é bem real! A prova é que a vemos em todo lugar: nas lojas, nas séries, nos filmes, nas roupas, nos museus, nos livros... Este cavalo de corno mágico é uma referência da pop culture ainda mais famosa do que o Bigfoot ou o Dahu.
E essa história de amor entre os humanos e os unicórnios não é de hoje: encontramos vestígios de cavalos com chifre até em tapeçarias medievais. Mas de onde vem essa lenda que atravessou os séculos? Um breve curso de história...
O unicórnio é um animal que atravessa fronteiras e tem muitos primos: encontramos criaturas parecidas na mitologia chinesa (o qilin), nas tradições orais do antigo Reino do Kongo (a abada) ou no Chile (Camahueto).
Na cultura europeia, o unicórnio é frequentemente um símbolo de pureza. Parece ter nascido nas obras de arte. A primeira menção escrita desse animal encontra-se num bestiário alexandrino do IVe século. Os teólogos, no entanto, acreditam que a lenda já existia bem antes disso.
Neste texto religioso, o unicórnio é apresentado como um animal selvagem e muito robusto, que se assemelha a uma cabra. Somente uma virgem pura pode capturar esse animal selvagem que vem aninhar-se em seu seio: o unicórnio torna-se então um símbolo do casal, cujo 'erotismo é flagrante é frequentemente esquecido pela Igreja.
A primeira representação gráfica do unicórnio data do século XVI: a famosa série de tapeçarias "La Dame à la Licorne" mostra uma mulher acompanhada de uma criatura imaginária: um cavalo branco com a barbinha de bode, cascos fendidos e ostentando um chifre na cabeça.
Ao longo dos séculos e das histórias, o unicórnio tem sido associado a inúmeras propriedades e poderes mágicos. Até o século XVIII, um comércio de "pó de chifre de unicórnio" fervia na Europa. Esse pó era visto como um poderoso antídoto e um purificador.
Um unicórnio pré-histórico?
É possível que esse mito tenha nascido da descoberta de fósseis pré-históricos. O Elasmotherium sibiricum, também apelidado de “unicórnio da Sibéria”, é um animal que teria vivido há mais de 29 000 anos. Teria, portanto, convivido com o Homo sapiens! Segundo os pesquisadores, esse unicórnio assemelhar-se-ia a um grande rinoceronte peludo de dimensões maciças.
Segundo um estudo publicado por pesquisadores russos da Universidade Estadual de Tomsk, na revista American Journal of Applied Sciences, este animal poderia medir até de duas metros de altura, para quatro metros de comprimento. Um belo exemplar de quatro toneladas, cuja chifre deveria medir aproximadamente 1,5 metro de comprimento ! Ela seria constituída de queratina (elemento presente nos pelos, garras, cascos...) e ela pesava vraissolutamente vários quilos.
Outra teoria sustenta que o unicórnio teria nascido graças a uma descrição aproximada de um rinoceronte. Viagens teriam visto um animal exótico e teriam tentado descrever essa fera desconhecida da melhor forma possível. Podemos encontrar, em Le Devisement du monde (1298) de Marco Polo, uma descrição de um rinoceronte que poderia muito bem passar pela descrição de um unicórnio: « (…) quase do tamanho de um elefante, com a pelagem de búfalo, o pé como o de um elefante, um enorme chifre negro bem no meio da testa. Ele não faz mal aos homens nem aos animais com o seu chifre ».
Agora vocês já sabem tudo o que há para saber sobre os unicórnios! Por isso, aproveitem este Dia Mundial dedicado a este cavalo mágico para encher as suas vidas de beleza e de doçura.
Unicórnios! : a exposição do Museu de Cluny em Paris mergulha no mito da criatura lendária
Em Paris, o Museu de Cluny – Museu Nacional do Meio-Tério – apresenta a exposição Licorne!, dedicada à famosa criatura mítica que atravessou a história e o imaginário da Idade Média. De 10 de março a 12 de julho de 2026, essa grande mostra reúne quase cem obras de diversas partes do mundo para explorar a simbologia, as lendas e a fascinação milenar que a licorne exerce, entre arte medieval, mitologia e espiritualidade. [Leia mais]







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