Quando se olha para ahistória política da França, nota-se um facto notável: o país mudou muitas vezes de Constituição. A Quinta República pode parecer hoje bem estabelecida, mas na realidade é o produto de uma longa tradição deinstabilidade institucional, nascida de grandes convulsões: revoluções, golpes de Estado, derrotas militares e crises de regime. Em cada período de tensão ou de rutura, a Constituição torna-se a alavanca de um recomeço, de um repensar das regras do jogo político.
Tudo começou efetivamente em 1791, com a primeira Constituição francesa, fruto da Revolução. Esta marcou o fim do absolutismo e o nascimento de uma monarquia constitucional. Mas uma coisa levou a outra muito rapidamente. A queda da monarquia em 1792 deu origem à Primeira República e a uma sucessão de constituições instáveis. A constituição muito democrática de 1793 nunca foi aplicada, enquanto a de 1795 tentou restabelecer a ordem após o Terror. O golpe de Estado de Bonaparte, em 1799, deu início a uma nova era com a Constituição do Ano VIII, que fundou o Consulado e depois o Império.
No século XIX, cada regresso à monarquia ou ao império deu origem a novas cartas constitucionais, como as de Luís XVIII e Luís Filipe. Em 1848, foi proclamada a Segunda República, acompanhada de uma Constituição que modernizava as instituições e introduzia o sufrágio universal masculino. Mas o Segundo Império de Napoleão III substituiu-a rapidamente por um regime autoritário.
Só em 1875 é que foi instaurada a Terceira República, com uma constituição mais estável, baseada no parlamentarismo. Este regime durou até à Segunda Guerra Mundial. Após a Libertação, a Quarta República, que surgiu em 1946, regressou a um sistema parlamentar, mas teve grandes dificuldades em governar, nomeadamente durante a guerra da Argélia.
Foi esta crise de 1958 que levou o General de Gaulle a propor uma nova Constituição, que foi adoptada por referendo. O resultado foi a Quinta República, com um executivo forte e um presidente eleito por sufrágio universal a partir de 1962. Este modelo mantém-se até hoje, embora tenha sido objeto de várias revisões.
Cada alteração da Constituição em França responde a um contexto particular, muitas vezes marcado pela vontade de sair de um impasse ou de uma instabilidade política. É também um reflexo da relação complexa que os franceses têm com as suas instituições: exigentes, críticos e sempre prontos a reinventá-las.
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