Antes das grandes obras de Haussmann, a avenida do Temple era um dos principais polos do entretenimento popular. Chegava a concentrar quinze teatros alinhados lado a lado, atraindo milhares de espectadores todas as noites, ávidos por vibrar, tremer, emocionar-se ou indignar-se.
Os espetáculos mais populares na época eram os melodramas: peças com enredos intensos, repletos de reviravoltas, golpes do destino e heróis sofridos. E nesses enredos… acontecia uma quantidade astronômica de crimes — claro, fictícios. Traições, sequestros, vinganças, mortes aparente, reencontros emocionantes: tudo era explorado para o maior deleite de um público ávido por emoções.
Foi então por brincadeira e com carinho que os parisienses começaram a chamar esta via de "o Boulevard do Crime". Não por causa de perigos reais, mas porque a quantidade de crimes encenados todas as noites no palco ultrapassava a imaginação. Dizem até que, em um único dia, os personagens de teatro passavam por mais peripécias do que um bairro inteiro ao longo de anos.
Esse apelido se tornou célebre, ressoando ao longo dos séculos. Ainda hoje, simboliza a era de ouro de um teatro popular, vibrante e acessível, numa época em que as pessoas iam ao teatro como vão atualmente ao cinema.
Mas a partir de 1862, as transformações de Haussmann começam a transformar completamente esse cenário. A maioria das salas é demolida para dar lugar à futura praça da República. Uma única casa de teatro consegue escapar das obras: o Teatro Déjazet, que permanece em atividade até hoje. Último remanescente do Boulevard do Crime, ele mantém vivo o espírito da época com uma programação ousada e poética.
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