Quando o calendário muda de ano, o planeta inteiro se prepara para os rituais de Ano Novo tão tradicionais quanto simbólicos. Por trás das serpentinas e dos fogos de artifício, cada país mantém suas próprias tradições para atrair boa sorte, prosperidade e amor. Uma análise detalhada, com dicas práticas, incluída.
Na Espanha, não há como escapar das doze uvas da sorte. Ao soar da meia-noite, as pessoas comem uma a cada badalada, cada uma simbolizando um mês do próximo ano. O desafio? Comer todas antes da última campainha, caso contrário, a sorte pode fugir. Mesmo ritual no México, onde às vezes acompanha-se o gesto com votos sussurrados às pressas.
Na Itália, a prosperidade é feita à mesa. As lentilhas são tradicionalmente servidas na ceia de Réveillon, às 23h59, ou logo após a meia-noite, muitas vezes acompanhadas de carne de porco. Seu formato remete às moedas: quanto mais se come, maior a esperança de um ano de fartura. Quanto ao visual, começa pelo que se veste: os roupões vermelhos, na Itália, Espanha e várias nações da América Latina, devem ser usados na noite de Ano Novo, já que a cor simboliza amor e sorte.
Na Alemanha, a celebração do Ano Novo é marcada pelo símbolo do porco, que representa sorte e prosperidade há séculos. É comum consumir pratos com carne de porco ou enfeitar as mesas com modelos de porcos para atrair boas energias e sucesso no novo ciclo.
Na Grécia, é tradição pendurar uma cebola inteira na porta de casa na véspera de Ano Novo. No dia 1º de janeiro, ela é usada para tocar suavemente a cabeça das crianças, simbolizando crescimento e renovação. Na Romênia, a previsão do tempo ganha uma pitada de magia: doze cascas ou pedaços de cebola, às vezes polvilhados com sal, são colocados na noite de Ano Novo. Na manhã seguinte, a umidade deles é interpretada para descobrir as condições climáticas de cada mês do novo ano.
Na Colômbia, exatamente à meia-noite, as pessoas saem com uma valise vazia e caminham ao redor da casa ou do quarteirão para requerer boas viagens. Em algumas regiões da América Latina e da Ásia, é costume varrer o chão pouco antes ou no momento da meia-noite para simbolicamente expulsar as energias negativas do ano que passou.
O barulho também faz parte da tradição. Na Dinamarca, é costume quebrar louças usadas na porta dos amigos e familiares: quanto maior for o monte de pratos quebrados, mais feliz será o próximo ano, marcado pelo companheirismo. Na Austrália e em outras partes do mundo, bater alto em panelas e utensílios de cozinha à meia-noite serve para afastar a má sorte.
No Brasil, a tradição virou uma celebração branca e aquática. Nas praias, especialmente no Rio, todos vestem branco, símbolo de paz. À meia-noite, muitos pulam sete ondas, cada uma acompanhada de um desejo, antes de lançar flores ao mar como oferta.
No Japão, a véspera de Ano Novo (Ōmisoka, 31 de dezembro) é marcada pela degustação do toshikoshi soba,_longas massas de trigo sarraceno que simbolizam a longevidade e a passagem de um ano para o outro. À meia-noite, os templos budistas fazem ecoar 108 badaladas, cada uma representando uma paixão humana que se busca purificar para iniciar o novo ano com leveza.
Por fim, 1º de janeiro marca a tradição bastante ritualizada do mergulho do urso polar, que acontece em Norte da Europa e Norte da América. Trata-se de um breve mergulho em águas geladas, geralmente conduzido de forma organizada, como símbolo de renovação e recomeço.
O Réveillon de Ano Novo assemelha-se a uma enorme coreografia mundial. Em todo o planeta, as pessoas repetem os mesmos gestos, às vezes curiosos, sempre carregados de significado. É uma forma bastante séria – e ao mesmo tempo divertidamente fora do comum – de lembrar que, antes de virar a página, todos acreditamos que um ritual bem feito pode mudar o curso do destino para melhor.
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