Dom Juan no Mês Molière: o clássico de Molière volta aos palcos em Versalhes

Por Laurent de Sortiraparis · Actualizado em 5 de maio de 2026 às 17h52
Dom Juan volta aos palcos em Versalhes, na Cour de la Grande Écurie, nos dias 4 e 5 de junho, para comemorar os 30 anos do Mois Molière. Dez anos após As artimanhas de Scapin, a Companhia L’Éternel Été volta a Molière com uma adaptação fiel ao texto original, encenada por Emmanuel Besnault.

Dom Juan volta aos palcos em Versalhes, na Cour de la Grande Écurie, nos 4 e 5 de junho de 2026, por ocasião dos 30 anos do Mois Molière. Esta criação do dramaturgo é adaptada e encenada por Emmanuel Besnault com a Companhia L’Éternel Été, associada a Versalhes desde 2018. O elenco reúne Élisa Benizio, Guillaume Collignon, Valentin Fruitier, Jérôme Pradon, Marion Préïté e Antoine Richard, numa nova travessia de um clássico que continua a fazer estremecer as certezas, entre o desejo de liberdade, o desafio ao sagrado e a relação conturbada com os outros.

A adaptação assume um posicionamento claro: seguir um caminho na obra original sem mudar uma palavra. Não se trata, portanto, de reescrever Dom Juan para modernizá-lo com artifícios de atualidade, mas sim de fazer ouvir aquilo que o texto ainda carrega de ardente. O espetáculo fixa-se nessa figura elusiva que avança desafiando regras, promessas, religião, mulheres, pais e fantasmas. Dom Juan seduz, foge, provoca, raciocina, desvia-se. Ao redor dele, Sganarelle tenta nomear o escândalo, a moral vacila, e a peça abre essa questão que Molière deixa deliberadamente em aberto: o que fazer de um homem que parece não ter de ninguém a prestar contas?

Esta nova encenação insere-se numa relação já forte entre a Companhia L’Éternel Été e Molière. Dez anos depois da criação das Vejes de Scapin, espetáculo que contou com quase 500 apresenta­ções na França e no exterior, a companhia volta ao dramaturgo com uma obra mais sombria, mais metafísica, menos farsesca à primeira vista, mas igualmente atravessada por uma energia de palco. Para os 30 anos do Mês de Molière, esse retorno assume uma dimensão especial: não se trata apenas de encenar um monumento do repertório, mas de recolocá-lo em circulação num festival que leva o nome do próprio autor.

Ao convidar no elenco outras companhias de Versalhes, a encenação assume também feições de um encontro artístico em torno de Molière. Esta escolha confere ao projeto uma ressonância coletiva: Dom Juan não é apenas retomado como um grande clássico, torna-se terreno comum, uma forma de fazer dialogar intérpretes, trajetórias e sensibilidades em torno de um texto que recusa respostas fáceis. E é aí, sem dúvida, que a peça mantém sua mordida: por trás do sedutor mítico, paira uma questão quase contemporânea, quase brutal. O que resta de nós quando o outro já não nos atinge mais?

Com Dom Juan, o Mês Molière recupera um dos seus maiores calafrios: um teatro em que se ri às vezes, em que se duvida com frequência, e onde os mortos, por fim, cobram explicações aos vivos. Emmanuel Besnault e a Companhia L’Éternel Été encaram este clássico sem alisar as zonas de sombra, deixando em aberto a porção de mistério que ainda sustenta o personagem, quatro séculos depois. Dom Juan queima tudo porque é livre, vazio, perdido, ou simplesmente incapaz de amar? A cena, por seu turno, talvez não precise responder depressa.

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Informação prática

Datas e horário de abertura
De 4 de junho de 2026 a 5 de junho de 2026

× Horários de abertura aproximados: para confirmar os horários de abertura, contactar o estabelecimento.

    Localização

    Avenue de Paris
    78000 Versailles

    Planeador de rotas

    Site oficial
    www.moismoliere.com

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