A Água Primordial: a exposição do Louvre que mergulha nos mitos da Mesopotâmia — nossas fotos

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Por Laurent de Sortiraparis · Fotos de Laurent de Sortiraparis · Actualizado em 20 de maio de 2026 às 17h14
O Museu do Louvre, em Paris, apresenta A Água primordial, uma exposição sobre a água na Mesopotâmia antiga, de 20 de maio de 2026 a 15 de março de 2027. Objetos arqueológicos, mitos e irrigação mostram como esse recurso moldou as primeiras sociedades mesopotâmias.

E se a história da Mesopotâmia também pudesse ser lida através dos seus rios? Com A Água Primordial, Lições da Mesopotâmia, o Museu do Louvre propõe uma exposição dedicada ao papel da água numa das grandes civilizações antigas, de 20 de maio de 2026 a 15 de março de 2027. O percurso acontece no departamento de Antiguidades Orientais, entre a ala Richelieu e a ala Sully, com um ponto de ancoragem na sala 230. De relatos míticos aos primeiros dispositivos de irrigação, a exposição mostra como as sociedades mesopotâmias conviveram com os rios, os solos e os recursos do seu ambiente através de textos legais, objetos de todo tipo e contratos administrativos.

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Rodeada pelo Tigre e pelo Eufrates, dois rios ligados à tradição bíblica do paraíso, a Mésopotamie antique viu nascer os primeiros grandes sistemas de irrigação conhecidos. A exposição revisita esse território onde a água era onipresente, bem diferente de algumas regiões hoje marcadas por uma forte aridez. Ela destaca canais, diques, pontes, aquedutos, redes de canalização ou lagos artificiais que transformaram profundamente as paisagens e a organização das sociedades.

Situada no coração do departamento de Antiguidades Orientais, a exposição convida a compreender como o domínio da água acompanhou o florescimento das cidades mesopotâmicas. Esses sistemas, criados para irrigar, circular, comerciar ou proteger as populações, trouxeram prosperidade e poder, ao mesmo tempo em que revelaram também suas limitações a longo prazo. Eles testemunham uma transformação voluntária do ambiente natural pelo homem, com consequências duráveis sobre o território e seus habitantes.

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Outra peça-chave dessa reflexão é a estela de Hammurabi, guardada no Museu do Louvre. Ela foi criada na Mesopotâmia, no longo do reinado do rei Hamurabi de Babilônia, entre 1792 e 1750 a.C. Encontrada em Susa, no Irã, durante as escavações francesas de 1901-1902, está gravada em escrita cuneiforme e redigida em paleo-babilônico, uma forma antiga do acadiano.

É frequentemente apresentada como um dos grandes textos legais da Antiguidade, mas ele também revela muito sobre a relação dos mesopotâmios com a água — na manutenção de diques, na gestão de canais e nos prejuízos que uma irrigação mal controlada pode causar aos campos. Por trás dessas normas, entende-se que a água impunha responsabilidades a todos. Ela alimentava as terras, mas também podia gerar litígios quando transbordava, faltava ou era mal gerida. A estela lembra, assim, que na Mesopotâmia, administrar uma cidade passava também por organizar o acesso a esse recurso vital.

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Uma estratégia baseada nos recursos internos do museu

Por preocupação ecológica, o Musée du Louvre optou por conceber esta exposição a partir de suas próprias coleções de antiguidades orientais. A sala 230 reúne assim cerca de cem obras mesopotâmicas, enquanto o trajeto se estende pelas salas permanentes do departamento. Ao longo de quase oito mil anos, desde a Ásia Central até o Mediterrâneo, 27 obras são apresentadas aos visitantes sob uma perspectiva renovada, em torno da água e das questões ambientais.

No imaginário mesopotâmico, a água ocupa um lugar central, tanto no mundo divino quanto no humano. Elemento vital, sagrado e regenerador, ela aparece em vários mitos de criação, mas também pode tornar-se uma força destruidora. Os perigos das cheias e das inundações ajudaram, entre outros aspectos, a moldar os relatos do Dilúvio, presentes em diversas tradições do Próximo Oriente antigo.

A exposição analisa a água como um elemento dúplo: fonte de vida, de prosperidade e de civilização, mas também fator de caos, de morte e de desordem. Doce ou salgada, subterrânea ou celeste, presente nos rituais ou temida pelos seus excessos, ela expressa a fragilidade do mundo humano, dependente de um equilíbrio constante entre seca e inundação.

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Um diálogo entre o passado e os desafios atuais

A reflexão se estende a questões atuais: o acesso à água, a escassez de recursos, as mudanças climáticas ou as tensões ligadas ao seu controle. A exposição traça um paralelo entre as soluções desenvolvidas na Antiguidade e os desafios de hoje, sobretudo em territórios que enfrentam a aridez. Propõe, assim, extrair lições da relação dos antigos mesopotâmios com a água, sem reduzir esse passado a uma comparação simplista com o presente.

A Mesopotâmia, cujo nome significa em grego "país entre os rios", era um território de grande diversidade ecológica. Montanhas de onde emergiam os cursos d’água, planícies irrigadas, pântanos, litoral do Golfo Arábico-Pérsico: a água estruturava as paisagens e os modos de vida. Nos séculos III e II a.C., o mar avançava para o norte em relação ao que é hoje, enquanto cidades como Lagash ou Larsa formavam verdadeiras "Veneza" antigas, onde a circulação ocorria principalmente em barcos.

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A exposição também revela como a água esteve no centro do poder. Considerada um dom divino, ela legitimava a autoridade dos reis, responsáveis por manter canais, diques e obras de travessia. Ela impulsionava o comércio fluvial e marítimo, mas também podia tornar-se uma fronteira, um tema estratégico ou até arma, quando desviada para enfraquecer uma cidade vizinha. "Esta exposição vai nos levar ao coração da água, criadora e destruidora na Mesopotâmia, elemento primordial não apenas sagrado, mas também eixo essencial de políticas hídricas, fonte de vida e de poder tanto quanto motivo de conflitos", explica também o museu.

Ao apresentar A Água Primordial, o Museu do Louvre oferece uma leitura ao mesmo tempo arqueológica, ambiental e política de um elemento que atravessa as civilizações. Sob a curadoria de Ariane Thomas, diretora do departamento de Antiguidades Orientais, com Barbara Couturaud e Grégoire Nicolet como curadores associados, esta exposição convida a ver as obras mesopotâmicas sob uma nova perspectiva. Ela abre um espaço de reflexão sobre o que as sociedades antigas ainda podem nos ensinar, não como modelos a serem reproduzidos, mas como referências para questionar melhor a nossa própria maneira de habitar o mundo.

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Informação prática

Datas e horário de abertura
De 20 de maio de 2026 a 15 de março de 2027

× Horários de abertura aproximados: para confirmar os horários de abertura, contactar o estabelecimento.

    Localização

    musée du louvre
    75001 Paris 1

    Planeador de rotas
    Informação sobre acessibilidade
    Acesso
    Metro Palais Royal - Museu do Louvre

    Tarifas
    Tarif ressortissants européens : €22
    Tarif ressortissants hors UE : €32

    Site oficial
    www.louvre.fr

    Reservas
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    Mais informações
    Aberto às segundas, quintas, sábados e domingos, das 9h às 18h, e às quartas e sextas, das 9h às 21h.

    Previsão de assiduidade
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