No Palais de Tokyo, em Paris, Benoît Piéron apresenta a exposição Vernis à Ombres de 3 de abril a 13 de setembro de 2026. Projetado para os espaços do centro de arte contemporânea, o percurso reúne esculturas, instalações e ambientes participativos em torno do cuidado, da espera e da vulnerabilidade. Alimentada pela experiência pessoal do artista, marcada por longas temporadas no hospital, a exposição mergulha no universo médico e hospitalar para oferecer uma leitura sensível, através de "outras representações dos espaços, dos corpos e dos afetos a eles ligados". Ela transforma assim imagens e situações frequentemente ligadas à coerção em um conjunto mais contemplativo, onde o corpo, o tempo e a imaginação ocupam um lugar central.
O percurso expositivo reúne formas e materiais próprios do ambiente hospitalar, tratados de maneira deliberadamente ambígua. O design utilitário e funcional dialoga com cores pastel, texturas têxteis e volumes suaves. Luzes de sirene giratórias são transformadas em candeeiros de leitura, enquanto uma sala de espera opaca se transforma em palco da vida sexual e da sexualização. O conjunto cria uma atmosfera que oscila entre a neutralidade clínica e uma evocação sensorial contida.
Certas instalações apoiam-se em dispositivos discretos, que brincam com a luz e o som. Raios de luz que passam por baixo de uma porta sugerem um espaço inacessível, acompanhados de uma composição sonora minimalista. O som de uma aspirina a dissolver-se transforma-se num motivo acústico amplificado, lembrando ao mesmo tempo um fenômeno químico e uma forma de paisagem sonora abstrata.
A noção de vulnerabilidade percorre todo o projeto, não como exceção, mas como uma condição amplamente partilhada. O trabalho de Benoît Piéron aborda a fragilidade dos corpos, das identidades e dos estados psíquicos, ao mesmo tempo em que estabelece vínculos com questões ecológicas mais amplas. As plantas presentes na exposição, ao mesmo tempo decorativas e potencialmente tóxicas, ilustram essa tensão constante entre cuidado e perigo, utilidade e precariedade. Também surge a questão da intersexuação do artista, que ele descobriu tardiamente, "designando o fato de nascer com características sexuais e hormonais que não correspondem às definições padrão dos corpos femininos e masculinos".
Para esta exposição no Palais de Tokyo, o artista apresenta uma produção inédita, criada em diálogo direto com a arquitetura, os volumes e a iluminação do espaço. O local passa a ser um elemento ativo na instalação, intensificando a sensação de instabilidade que permeia toda a obra. Essa instabilidade é encarada como uma característica estrutural, relacionada aos contextos sociais, às trajetórias de vida e às transformações físicas ou mentais, sem que seja vista como algo necessariamente negativo.
A exposição no Palais de Tokyo oferece uma visão distante e analítica de temas pouco explorados no universo da arte contemporânea sob essa perspectiva. Ao combinar experiências pessoais, recursos visuais e uma reflexão sobre as condições de vida, o projeto cria um espaço de projeção onde a imaginação funciona como uma ferramenta de deslocamento e adaptação, permitindo ao visitante uma leitura própria, que pode evoluir ao longo do tempo.
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Datas e horário de abertura
De 3 de abril de 2026 a 13 de setembro de 2026
Localização
Palácio de Tóquio
13, avenue du président Wilson
75116 Paris 16
Acesso
Estação de metro da linha 9 "Iéna" ou "Alma-Marceau
Tarifas
Tarif réduit : €9
Plein tarif : €13
Site oficial
palaisdetokyo.com
Mais informações
Aberto todos os dias, exceto às terças, das 12h às 22h.























