Quando se menciona o subsolo parisiense, as Catacumbas vêm imediatamente à mente. No entanto, elas representam apenas uma ínfima parte de uma extensa rede de galerias cavadas ao longo de séculos para extrair o calcário que serviu para erguer grande parte da capital.
Esse patrimônio subterrâneo, invisível desde a superfície, continua hoje sob vigilância permanente. Desde 1777, a Inspeção-Geral das Pedreiras (IGP) é responsável por cartografar, inspecionar e consolidar essas pedreiras antigas a fim de garantir a segurança dos habitantes e dos edifícios erguidos acima.
Uma missão pouco conhecida, porém essencial para o funcionamento de Paris. Explicamos tudo para você!
No século XVIII, Paris crescia rapidamente. Desde a época galorromana, gerações de trabalhadores extraem debaixo da cidade o calcário luteciano usado para erguer igrejas, palácios privados e edifícios. Estas explorações subterrâneas acabam por formar um verdadeiro labirinto.
Com o passar do tempo, algumas pedreiras são abandonadas sem terem sido suficientemente consolidadas. As consequências não tardam a aparecer: ruas desabam brutalmente, engolindo calçadas, casas e pedestres. O acidente mais célebre acontece em 17 de dezembro de 1774, quando uma parte da rue d'Enfer (hoje avenida Denfert-Rochereau) desaba ao longo de várias centenas de metros!
Diante desses riscos, o rei Luís XVI criou, em 4 de abril de 1777, a Inspeção-Geral das Pedreiras, confiada ao arquiteto e engenheiro Charles-Axel Guillaumot. Guillaumot então iniciou um trabalho colossal: explorar as galerias, traçar mapas extremamente detalhados, numerar as pedreiras e promover importantes obras de consolidação. Grande parte das inscrições visíveis hoje nas antigas pedreiras parisienses remonta, aliás, a essa época.
Mais de dois séculos após a sua criação, a Inspeção-Geral das Pedreiras continua a cumprir a mesma missão. As suas equipas reúnem engenheiros, geólogos, topógrafos, técnicos e inspetores especializados nos riscos do subsolo. O seu trabalho consiste em descer regularmente às antigas pedreiras para verificar o estado dos pilares, das abóbadas e das consolidações realizadas ao longo dos séculos. Procuram a menor fissura, infiltrações de água, movimentos de terra ou sinais que antecipem um desmoronamento.
A Inspeção também assegura a atualização da cartografia das antigas pedreiras. Esses planos, constantemente atualizados, são indispensáveis para os arquitetos, os incorporadores, as autoridades locais e as empresas que desejam construir ou renovar um edifício nos setores em questão.
Ao contrário da ideia recebida, o IGC não fiscaliza apenas as célebres Catacumbas. Seu campo de atuação abrange quase 300 quilômetros de galerias acessíveis sob Paris, aos quais se somam, por convenção, redes situadas em várias comunas da pequena coroa, bem como algumas obras pertencentes, nomeadamente, à RATP, à SNCF ou ao ministério das Forças Armadas.
Embora as jazidas já não sejam exploradas há muito tempo, elas continuam a influenciar o cotidiano dos parisienses. Quase um prédio em cinco em Paris está erguido sobre antigas jazidas de calcário ou de gesso. Antes de qualquer operação imobiliária de importância, os projetos são analisados para determinar se são necessários trabalhos de consolidação ou fundações específicas.
As avaliações emitidas pela Inspeção-Geral das Pedreiras são tidas em conta em muitas autorizações de urbanismo. As equipas acompanham também os impactos das fortes chuvas, das subidas do lençol freático ou de episódios de seca, suscetíveis de fragilizar certos setores. Mesmo que os desabamentos espetaculares hoje em dia sejam muito raros graças às obras de consolidação iniciadas há mais de dois séculos, o risco nunca desapareceu completamente.
Ao longo de suas inspeções, os agentes da IGC percorrem um verdadeiro pedaço da história de Paris. As galerias ainda guardam vestígios das antigas explorações, das marcas deixadas pelos trabalhadores da pedra, das placas de marcação instaladas no século XVIII ou ainda as consolidações em pedra realizadas sob a direção de Guillaumot e de seus sucessores.
Algumas partes comunicam-se com as Catacumbas, enquanto outras permanecem totalmente desconhecidas pelo grande público. Elas constituem um patrimônio científico, histórico e técnico único na Europa, que continua a ser alvo de pesquisas e de campanhas de levantamentos.
A Inspeção-Geral das Pedreiras não é visitável livremente. Suas instalações administrativas não ficam abertas ao público e as galerias que supervisiona permanecem proibidas de acesso, salvo autorização específica. Essa proibição visa proteger tanto os visitantes quanto preservar obras por vezes frágeis.
Para descobrir parte desse mundo subterrâneo, é preciso recorrer às Catacumbas de Paris, instaladas em uma antiga pedreira e abertas à visita, ou aproveitar algumas ações especiais organizadas pela Prefeitura de Paris. A Inspeção-Geral das Pedreiras participa pontualmente de ações de mediação e publica regularmente mapas, arquivos e conteúdos que permitem compreender melhor o seu trabalho.
Se os seus agentes trabalham longe dos olhos do público, a missão deles continua indispensável: sem eles, as centenas de quilômetros de galerias que se estendem sob a capital representariam um risco ainda maior para os prédios, as ruas… e os milhões de pessoas que vivem acima!
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As catacumbas proibidas fascinam tanto quanto inquietam. Entre lendas urbanas, explorações clandestinas e o verdadeiro ossário aberto ao público, às vezes é difícil distinguir o verdadeiro do falso. Então, quais catacumbas é possível visitar realmente em Paris? E o que esconde a vasta rede subterrânea inacessível? [Leia mais]
Datas e horário de abertura
Próximos dias
Terça-feira :
de 9h45 a 20h30
Quarta-feira :
de 9h45 a 20h30
Quinta-feira :
de 9h45 a 20h30
Sexta-feira :
de 9h45 a 20h30
Sábado :
de 9h45 a 20h30
Domingo :
de 9h45 a 20h30
Localização
Catacumbas
1, place Denfert-Rochereau
75014 Paris 14
Planeador de rotas
Site oficial
www.catacombes.paris.fr











As catacumbas proibidas, o que realmente esconde o maior labirinto subterrâneo de Paris?














