Olympe Audouard no Mês Molière: uma peça sobre a pioneira do jornalismo

Por Laurent de Sortiraparis · Actualizado em 5 de maio de 2026 às 16h21
Há muito eclipsada por outras figuras do século XIX, Olympe Audouard volta a subir ao palco no Auditório Claude Debussy, nos dias 31 de maio e 26 de junho, no âmbito do Mês Molière. A peça traça a trajetória de uma jornalista, viajante e feminista que percorreu a sua época com a pena na mão.

Quem se lembra de Olympe Audouard ? Olympe Audouard, a primeira mulher jornalista chega ao Auditório Claude Debussy de Versailles, no âmbito do Mois Molière, domingo 31 de maio às 19h15 e sexta-feira 26 de junho às 20h45. Dirigida por Martin Loizillon, com Gwénaël Ravaux e Nicolas Rigas, a peça é escrita por François de Mazières, a partir dos textos de Olympe Audouard, de Victor Hugo e de Alexandre Dumas, com uma composição de Olivier Charade. Ela coloca no centro do palco uma mulher nascida em 1832, jornalista, viajante, militante, testemunha e atriz de um XIXe século atravessado por revoluções políticas, transformações sociais e lutas feministas.

O ponto de partida parece quase um mal-entendido: "Olympe Audouard? Você quer dizer Olympe de Gouges?". Não, justamente. O espetáculo se dedica a contar a trajetória de Olympe Audouard, a primeira mulher jornalista francesa, que funda seu próprio jornal, percorre o mundo, convive com as grandes figuras literárias e políticas de sua época e participa da Comuna de Paris. Através dela, desfila todo um século, entre salões, redações, viagens e barricadas. Victor Hugo, Alexandre Dumas, Théophile Gautier ou mesmo o barão Haussmann cruzam seu caminho, numa tela que parece buscar tornar visível uma mulher que a história oficial pouco registrou.

Olympe Audouard avança como se fosse uma figura de romance de folhetim: cruza fronteiras, escreve, provoca, observa os poderosos e recusa o lugar que a sua época quer impor às mulheres. Pela trajetória, a peça abre várias portas para o século XIX: o surgimento de uma voz feminina no jornalismo, os debates sobre emancipação, as convulsões políticas da Comuna de Paris, além das relações de poder nos círculos literários, midiáticos e sociais. A História não aparece aqui como uma paisagem de fundo bem ordenada, mas como um campo de atrito, atravessado por vozes, lutas e por figuras ainda demasiado pouco conhecidas.

A escolha de fazer ouvir Olympe Audouard a partir de seus próprios escritos, mas também de textos de Victor Hugo e de Alexandre Dumas, insere a peça em um diálogo com as vozes célebres de sua época. Esse procedimento poderia permitir medir a distância entre aqueles que a memória coletiva consagrou e aquela que, apesar de sua audácia, ainda permanece amplamente desconhecida. O elenco reduzido, com Gwénaël Ravaux e Nicolas Rigas, deixa antever uma forma concentrada, onde o relato biográfico se confunde com a evocação histórica, sem buscar a reconstituição decorativa em grande escala.

Ao reacender Olympe Audouard sob os holofotes, o Mês Molière convida a reabrir uma página da história em que a imprensa, a política e a emancipação das mulheres se cruzam com uma surpreendente modernidade. Permanece a pergunta, simples e certeira, que pode acompanhar o público ao sair da sala: quantas outras Olympe Audouard ainda aguardam que, enfim, se pronuncie o seu nome?

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Informação prática

Datas e horário de abertura
De 31 de maio de 2026 a 26 de junho de 2026

× Horários de abertura aproximados: para confirmar os horários de abertura, contactar o estabelecimento.

    Localização

    24 Rue de la Chancellerie
    78000 Versailles

    Planeador de rotas

    Acesso
    RER C estação de "Versailles - Rive Gauche"

    Site oficial
    www.moismoliere.com

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