Houve uma altura - não há muito tempo - em que dizer as horas exigia um gesto teatral: enfiar a mão no bolso, puxar uma pequena corrente e tirar orgulhosamente o relógio de bolso. Um ritual elegante... desde que não se estivesse a pilotar um avião. Foi exatamente esse o problema enfrentado por Alberto Santos-Dumont em 1904. O aviador brasileiro, uma verdadeira estrela da Belle Époque parisiense, passava os dias a sobrevoar o Bois de Boulogne com os seus dirigíveis e os seus primeiros aviões.
Mas tirar um relógio do bolso para cronometrar os seus voos não é apenas complicado, é também perigoso! Assim, confiou o seu problema ao seu amigo Louis Cartier, herdeiro da prestigiada casa de joalharia fundada em 1847 pelo seu avô. Cartier concebeu para o aviador um relógio plano e de leitura fácil, preso a uma bracelete de couro que podia ser usada... no pulso. Uma pequena revolução na altura!
Nasce o Santos, comercializado a partir de 1911, tal como o Tonneau em 1906, símbolos de ousadia e modernidade. Rapidamente conquistou os parisienses, que adoptaram este novo formato, muito mais prático. Com o tempo, o relógio de pulso tornou-se um fenómeno mundial, eclipsando o seu antepassado relógio de bolso. Quanto à Cartier, acabava de assinar uma das maiores transformações da história da relojoaria... provando que, para revolucionar o mundo, por vezes basta um amigo em apuros!















