O Vampiro de Montparnasse: o estranho caso que espalhou o pânico em Paris no século XIX

Por Laurent de Sortiraparis · Fotos de Laurent de Sortiraparis · Actualizado em 13 de agosto de 2026 às 20h33
Em 1849, diversos cemitérios parisienses foram atingidos por uma série de profanações que alarmaram os vigias e alimentaram os rumores mais sombrios. Apelidado de "Vampiro de Montparnasse", o enigmático responsável acabou sendo identificado: um olhar sobre um caso macabro que marcou o Paris do século XIX.

Em 1849, Paris viu nascer uma história tão macabra quanto inexplicável. Em vários cemitérios da capital, especialmente em Montparnasse, túmulas são encontradas abertas, caixões arrombados e corpos mutilados. Logo, o medo toma conta das mentes e a imprensa popular transforma o misterioso profanador numa criatura de pesadelo. O apelido de "Vampiro de Montparnasse" começa a circular, alimentando durante vários meses uma das histórias mais perturbadoras do Paris do século XIX.

A cada nova descoberta, os rumores vão ganhando força. Os guardiões afirmam ter avistado silhuetas na noite, enquanto a imprensa menciona, alternadamente, uma ghoul, um monstro ou um homem com hábitos impossíveis de explicar. O caso atinge principalmente o cemitério do Montparnasse, mas o Père-Lachaise também recebe relatos de profanações. Não havendo explicação, a imaginação faz o resto. E mesmo que Drácula só venha a nascer décadas depois, todo o imaginário do vampiro e do mortos-vivos já está bem instalado nas mentalidades.

As autoridades acabam por organizar uma verdadeira caça ao homem. Rondas noturnas, vigilância reforçada e armadilhas são instaladas para tentar surpreender o responsável. Um guarda chegou a abrir fogo contra uma sombra avistada perto dos muros do cemitério, sem conseguir detê-lo. O desfecho chega, afinal, graças a um dispositivo explosivo colocado numa tumba visada com regularidade. Pouco depois, um militar apresenta-se com uma ferida correspondente à provocada pela armadilha.

O misterioso "vampiro" é então identificado: trata-se do sargento François Bertrand. Sua prisão põe fim aos fantasmas de criatura sobrenatural, mas o caso torna-se imediatamente ainda mais perturbador. Bertrand reconhece várias profanações e descreve impulsos que o levavam a entrar nos cemitérios à noite para atacar os corpos. Seu comportamento desconcerta tanto os magistrados quanto os médicos chamados a analisar o seu caso.

Le Vampire du Montparnasse : l'étrange affaire qui a semé la panique dans le Paris du XIXe siècleLe Vampire du Montparnasse : l'étrange affaire qui a semé la panique dans le Paris du XIXe siècleLe Vampire du Montparnasse : l'étrange affaire qui a semé la panique dans le Paris du XIXe siècleLe Vampire du Montparnasse : l'étrange affaire qui a semé la panique dans le Paris du XIXe siècle

O julgamento de François Bertrand marca uma virada, pois não se limita a julgar atos de depredação de sepulturas. Em uma época em que a psiquiatria começa a buscar novas palavras para descrever certos comportamentos, os médicos tentam explicar seus atos por um transtorno mental. O caso é hoje frequentemente citado entre os primeiros exemplos de necrofilia estudados de forma relativamente detalhada em um âmbito médico e jurídico.

Ao olhar para trás, a história do "Vampiro de Montparnasse" revela mais um caso sensacional do que um medo coletivo. Algumas túmulas profanadas, uma imprensa ávida por narrativas espetaculares e muitas zonas de sombra foram suficientes para criar um monstro no imaginário parisiense. Por trás da lenda encontrava-se, porém, um homem bem real, cujo julgamento deixaria uma marca duradoura na história da criminologia e da psiquiatria.

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