O Louvre, localizado no 1º arrondissement de Paris, vive uma fase de forte tensão social. Nesta mana de segunda-feira, os funcionários do maior museu do mundo se reúnem sob a pirâmide para realizar uma assembleia geral que promete ser decisiva. A pauta: deve continuar a greve no Museu do Louvre e ser acionada uma nova notificação de greve? Os três sindicatos responsáveis por essa mobilização – CGT, CFDT e Sud – consideram as propostas do Ministério da Cultura “ainda insuficientes e aquém da realidade do cotidiano”. Uma insatisfação que persiste há várias semanas e que ameaça diretamente o acesso dos visitantes ao monumento mais visitado da França.
O conflito que agita o Louvre não é algo novo. Em 8 de dezembro passado, os funcionários já haviam aprovado um aviso de greve contínua, exigindo a abertura de negociações em nível ministerial. Entre suas principais reivindicações estão a alteração na governança do museu, a priorização das obras de segurança e proteção do local, além da criação de empregos que atendam às necessidades reais. Reivindicações consideradas essenciais para um espaço que recebe quase 10 milhões de visitantes por ano. Diante da insatisfação com as respostas insuficientes obtidas nas várias reuniões, os trabalhadores já tinham iniciado ações em meados de dezembro, com três dias de greve nos dias 15, 17 e 18 de dezembro de 2024, causando impacto na visita de muitos turistas durante o fim de Ano Novo, como informa o Le Parisien.
A mobilização dos funcionários ocorre em meio a uma crise profunda na instituição. Os sindicatos há tempos denunciam as condições de trabalho deterioradas e a carência crônica de pessoal, que prejudicam o cotidiano dos trabalhadores. Os problemas acumulam-se: galerias fechadas por motivos de deterioração, inundações recorrentes, incidentes de segurança... O ousado assalto ocorrido em 19 de outubro de 2024 na renomada galeria de Apolo revelou as vulnerabilidades do sistema. Essa invasão, de grande impacto, funcionou como um verdadeiro choque, expondo ao público as fragilidades de uma instituição sob forte pressão. Para as entidades sindicais, é imprescindível agir com urgência antes que a situação piore ainda mais, colocando em risco tanto a segurança das obras quanto a dos visitantes.
A deterioração do edifício histórico representa também desafios sérios. Entre infiltrações, sistemas de segurança antiquados e espaços que urgentemente precisam de reforma, o Louvre apresenta sinais preocupantes de desgaste. Os funcionários, na linha de frente diante dessas dificuldades, clamam por recursos que estejam à altura dos obstáculos. Sua luta é não apenas pela melhoria das condições de trabalho, mas também pela preservação do próprio patrimônio que têm a missão de proteger.
A decisão tomada nesta segunda-feira em assembleia geral será decisiva para os próximos dias. Se os funcionários votarem pela continuidade da greve, a direção do museu pode ser forçada a fechar suas portas, como aconteceu em meados de dezembro. Uma possibilidade que preocupa especialmente neste início de ano, período tradicionalmente movimentado por turistas de todo o mundo que vêm admirar a Mona Lisa, a Vênus de Milo e as coleções egípcias. O risco de fechamento paira sobre a instituição, trazendo consequências não apenas para os visitantes, mas também para a reputação internacional do museu.
As negociações entre o Ministério da Cultura e os representantes dos funcionários parecem atualmente estagnadas. Embora os sindicatos reconheçam que houve diálogos, eles consideram que os avanços concretos são insuficientes diante da gravidade dos problemas. Os funcionários aguardam compromissos firmes e detalhados, especialmente em relação à criação de vagas e ao calendário das obras prioritárias. Sem esses passos, o movimento social pode se prolongar e transformar esse conflito pontual numa crise duradoura para o museu mais famoso do mundo.
O desfecho desta assembleia geral será decidido nesta manhã de segunda-feira no auditório localizado sob a pirâmide do Louvre. Os visitantes que planejam visitar o museu nos próximos dias podem consultar o site oficial do Louvre para verificar as condições de abertura e comprar seus ingressos online. O museu fica no Palais du Louvre, no 1º arrondissement, acessível pelas estações de metrô Palais Royal-Musée du Louvre (linhas 1 e 7) ou Louvre-Rivoli (linha 1). Em resumo, esta segunda-feira promete ser decisiva para o futuro do movimento social e para o acesso do público ao patrimônio único do museu parisiense.















