Sabia que vários cocktails famosos devem a sua existência aos bares de Paris? Entre eles, o Bloody Mary, o Boulevardier, o French 75, o Monkey Gland ou o Blue Lagoon, todos nascidos em bares parisienses durante o século XX.
Um século de existência e de elegância que conta uma certa história da mixologia, intimamente ligada aos círculos culturais e literários da época. Muito mais do que simples receitas, estes cocktails encarnam a história de Paris, dos seus salões, dos seus cafés, dos seus artistas e das suas lendas.
Vamos partir juntos (e sempre com moderação) em busca dos cocktails que foram inventados nos bares de cocktails parisienses.
Durante os loucos anos 20, Paris tornou-se um viveiro cultural e artístico onde escritores e artistas se encontravam em bares de cocktails para trocar ideias sobre as suas criações. Era o caso do Harry's New York Bar, o reduto dos expatriados americanos e dos escritores boémios.
Diz-se que o Harry's New York Bar foi o local de nascimento de muitos dos cocktails que ainda hoje são clássicos. No número 5 da rue Daunou, no 2º arrondissement de Paris, muitas destas receitas foram criadas no shaker de - entre outros - Harry MacElhone.
O barman e fundador do restaurante inventou o Boulevardier em 1927, uma homenagem ao escritor americano Erskine Gwynne, feito com whisky bourbon, Campari e vermute doce. Inicialmente pouco conhecido, teve um renascimento nos anos 2000 e foi reconhecido como cocktail oficial pela IBA (International Bartenders Association) em 2020.
O French 75 (nome do canhão francês de 75 mm) foi criado por volta de 1915, numa primeira forma experimental à base de absinto, gin e sumo de limão, antes de adquirir a sua receita definitiva na década de 1920, composta por gin, champanhe, limão e açúcar.
O mesmo acontece com o Between the Sheets, que toma como base o famoso Sidecar (conhaque, triple sec, limão), mas acrescenta um toque de rum branco para lhe dar um carácter mais lúdico e... sugestivo. O seu nome, literalmente "entre os lençóis", evoca um cocktail dos anos entre guerras que era simultaneamente sedutor e provocador, perfeito para as noites parisienses à luz fraca. Qual é o seu sabor? Potente, a limão, seco e ligeiramente doce.
Há ainda o Monkey Gland, uma curiosa combinação de gin, sumo de laranja, absinto e grenadine, criada nos anos 20 pelo mesmo Harry MacElhone para evocar as experiências do cirurgião francês Serge Voronoff; ou o Blue Lagoon, uma criação de Andy MacElhone (filho de Harry) nos anos 60, que combina vodka, blue curaçao e sumo de limão - cores típicas da moda pop e gráfica dos anos 60 - e o White Lady, também inventado pelo filho de Harry MacElhone e composto por gin, triple sec e lima.
Por último, entre os cocktails que ainda hoje fazem tanto sucesso, o Bloody Mary terá sido inventado no Harry's New-York Bar, por volta de 1921. O barman Fernand Petiot criou a bebida combinando dois ingredientes pouco habituais na época: vodka e sumo de tomate. A versão original era minimalista; só mais tarde, quando Petiot foi trabalhar para o King Cole Bar em Nova Iorque, é que enriqueceu a receita com Tabasco, sal de aipo, molho Worcestershire, pimenta preta e sumo de limão para equilibrar.
O cocktail tornou-se um clássico mundial, frequentemente associado ao brunch e às manhãs difíceis. Quanto à sua alcunha, vem de Mary Tudor, apelidada de "Bloody Mary" pela sua reputação... sanguinária!
No bar do hotel Ritz Paris , também havia muitas criações mixológicas, obra do barman estrela da época, Frank Meier. Entre os seus cocktails mais prestigiados, conta-se a Mimosa - verdadeiro totem dos brunches contemporâneos - uma mistura de champanhe e sumo de laranja fresco servida numa flute e que remonta a 1925.
O bar do Hotel Ritz, o seu balcão e a sua figura tutelar nunca longe dos copos... oescritor Ernest Hemingway, que na altura vivia na capital. Foi aqui que o autor pegou no shaker para fazer o Death in the Afternoon, um cocktail da sua autoria, cuja receita tinha concebido durante uma estadia em Havana. Batizado em homenagem ao seu livro homónimo(Death in the Afternoon, 1932), é feito com absinto e champanhe e é um dos favoritos dos apreciadores de bolhas com sabor a anis.
O Dry Martini, rei dos cocktails minimalistas e emblema do chique inglês, não nasceu propriamente em Paris, mas tornou-se um mito vivo, sobretudo nos anos 1920 e 1930. Feito com gin e vermute seco, por vezes com um toque de raspa de limão ou de azeitona, é considerado um dos cocktails mais emblemáticos do mundo.
Mas as suas origens exactas permanecem pouco claras: alguns atribuem-no a São Francisco na década de 1860, outros a Nova Iorque, mas foi em Paris, nos bares do Ritz, do Crillon e do Harry's New York Bar, que o Dry Martini encontrou a sua aura social e literária. Hemingway, Fitzgerald e Gertrude Stein eram todos fãs deste cocktail seco, elegante e terrivelmente sofisticado. Tornou-se o símbolo de uma Paris nocturna, silenciosa e cosmopolita.
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Terça-feira :
de 12h a 2h
Quarta-feira :
de 12h a 2h
Quinta-feira :
de 12h a 2h
Sexta-feira :
de 12h a 2h
Localização
Harry's New York Bar
5, Rue Daunou
75002 Paris 2
Informação sobre acessibilidade
Site oficial
www.harrysbar.com



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