Por que razão os chefs de cozinha usam touca? História do chapéu que se tornou um símbolo francês

Por Manon de Sortiraparis · Fotos de My de Sortiraparis · Actualizado em 3 de dezembro de 2025 às 0h40
Por que razão os chefs usam um chapéu branco? Por trás deste emblemático chapéu esconde-se uma história antiga que mistura religião, monarquia, higiene e prestígio culinário. Regresso às origens de um símbolo forte da cozinha francesa.

Alta, branca e pregueada, a touca é hoje um dos símbolos mais reconhecíveis da cozinha francesa. Mas de onde vem ela? Entre tradições bizantinas, normas de higiene e hierarquias, a história da touca dos chefs é tão rica quanto saborosa.

Uma possível origem antiga e religiosa

A origem do chapéu remonta à Antiguidade ou à Idade Média, de acordo com diferentes hipóteses. Uma das versões mais antigas remete-nos ao século VI, noImpério Bizantino. Os cozinheiros da corte, para se protegerem e sinalizarem o seu estatuto, já usavam um chapéu semelhante a um gorro. Nessa época, os monges ortodoxos, que usavam um chapéu chamado«kalimavkion», teriam influenciado essa prática vestimentária entre os artesãos da corte, incluindo os cozinheiros.

Outra teoria associa o chapéu aos cozinheiros reais da Idade Média, que adotavam um traje específico para mostrar a sua pertença à casa real e evitar serem confundidos com servos ou criados.

O chapéu branco, uma invenção do século XIX

A forma moderna do chapéu branco tem as suas raízes no século XIX. O famoso cozinheiro Antonin Carême, pioneiro da gastronomia francesa, teria codificado o uso do branco na cozinha, considerando essa cor um símbolo de limpeza. Ele usava um chapéu alto e rígido, inspirado nos chapéus dos médicos, para dar prestígio à profissão.

Mas foi Auguste Escoffier, outra figura importante da cozinha francesa, que generalizou a hierarquia através da altura do chapéu. Quanto mais alto, mais graduado é o chef. Diz-se por vezes que as pregas de um chapéu (muitas vezes 100) representam as 100 maneiras de cozinhar um ovo, embora esta anedota seja sobretudo uma lenda culinária.

De símbolo de autoridade a marca de tradição

Hoje, o chapéu continua a ser um forte emblema da profissão, embora o seu uso diário tenda a tornar-se mais raro em favor de chapéus mais práticos (bonés, redes, bandanas). No entanto, continua a ser usado em concursos, demonstrações ou em certos estabelecimentos gastronómicos, marcando o respeito pelas tradições.

Embora tenha evoluído, o chapéu continua a simbolizar o rigor, a técnica e o respeito pela profissão de cozinheiro. Conta uma história em que a cozinha não é apenas uma questão de gosto, mas também de transmissão e postura.

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